20 de fevereiro de 2018

Wuthering Heights

Mais um post para a categoria "músicas inspiradas em livros". A ideia original é falar de músicas que eu gosto, mas como queria unir duas coisas em uma, então, decidi que os livros que vou citar nessas postagens também serão livros que eu li gostei. Assim, hoje o tema será Wuthering Heights que é um livro que eu amo e que inspirou duas músicas que gosto muito.
         Caso você não tenha pego a referência, a música é inspirada no romance gótico "O Morro dos Ventos Uivantes", único de Emily Bronte.Foi lançado originalmente em 1847 e de lá para cá já teve diversas adaptações para o cinema e para a televisão. 
 Bem resumidamente, o romance retrata a história de Heathcliff e Catherine, começando desde o nascimento dela. A família Earnshaw reside n'O Morro dos Ventos Uivantes e, após uma viagem, o patriarca da família traz consigo um garoto órfão, Heathcliff. O menino tem a afeição do Sr. Earnshaw e de sua filha Catherine, porém causa o ciúme de seu filho Hindley.
 Heathcliff e Catherine crescem, bem como os laços entre eles. Porém, a morte do sr. Earnshaw deixa Heathcliff refém das humilhações de Hindley. Por seu sentimento por Catherine, ele aceita seu infortúnio. Contudo, ela decide casar o "vizinho", Edgar Linton, em vez de abraçar seu sentimento por Heathcliff, optando pela vida confortável que Edgar poderia lhe dar.
 Heathcliff decide ir embora, voltando tempos depois ao Morro dos Ventos Uivantes, rico e disposto a se vingar dos que ele julga serem responsáveis pela quebra de seu espírito. Essa vingança envolve gerações dos Earnshaw e dos Linton, nos mostrando que alguém pode ser capaz de odiar tão fortemente como uma vez amou e que o amor pode ser mais forte que a morte. 
 Este é um dos meus livros favoritos da vida e daquelas obras que me fizeram amar os clássicos. Foi o primeiro romance que li em que os personagens traziam toda gama de sentimentos que qualquer pessoa real carrega. Ninguém é completamente mau ou completamente bom, eles impactam e são impactados pelas ações e palavras uns dos outros. Vemos a história e o reflexo dos ocorridos na personalidade de cada um e somos induzidos a amar e odiar cada um dos protagonistas, por vez.
 Com o mesmo título do livro, a música "Wuthering Heights", foi composta e interpretada por Kate Bush. Ela tinha apenas 18 anos quando a compôs e o fez inspirada nos minutos finais da adaptação cinematográfica de 1970. A música foi composta em algumas horas durante uma madrugada e foi a última a se criada e gravada para o álbum de estreia de Kate Brush, The Kick Inside, lançado em 1978. A letra dessa música é inspirada na visão de Catherine Earnshaw, com vários trechos inspirados em suas falas como em "Let me in! I'm so cold" em que ela está do lado de fora da janela de Heathcliff e "Bad dreams in the night" quando ela conta de sua noite conturbada de sono. A música pode trazer um tom mais soturno, se você tiver em mente as últimas páginas do livro, mas não irei dar o spoiler.
                  Alguns fatos interessantes sobre a a música são que foram feitos e lançados dois videoclipes para ela, seu solo final é de Ian Bairson (guitarrista da banda de rock progressivo The Allan Parsons Project) e que com a canção, Kate Bush foi a primeira mulher a chegar no topo das paradas britânicas com uma música composta e interpretada por ela.

            Não tenho como falar da música de Bush sem lembrar da versão feita pela banda de power metal brasileira Angra, que foi lançada em 1994 no álbum Angels Cry. Eu, particularmente prefiro e escuto mais a música na voz de Andre Matos, mas isso é questão de gosto. O próprio Andre Matos era fã de Kate Bush, motivo pelo qual foi uma grande satisfação para ele lançar a música em um disco de sua banda. Uma curiosidade é que, a música lançada em 1994 é basicamente a mesma de Bush, mas anteriormente o Angra tinha feito uma versão mais pesada da música, bem mais "heavy metal".Estão abaixo essa versão demo e a versão que saiu no Angels Cry, respectivamente: 

                    

                Wuthering Heights                                                O Morro Dos Ventos Uivantes
                Out on the wiley windy moors                              Lá fora nas tempestuosas colinas
                We'd roll and fall in green                                     Nós girávamos e caíamos no gramado
                You had a temper, like my jealousy                      Seu temperamento era como o meu ciúme
                Too hot, too greedy                                               Ardente e ávido demais
                How could you leave me                                      Como você pôde me abandonar
                When I needed to possess you?                            Quando eu mais precisei te possuir?   
                I hated you, I loved you too                                  Eu te odiei, eu te amei também

                Bad dreams in the night                                        Pesadelos na noite 
                You told me I was going to lose the fight             Você me dizia que eu iria perder essa luta
                Leave behind my wuthering, wuthering               Deixar para trás meu morro, meu morro
                Wuthering heights                                                 Meu morro dos ventos uivantes

                Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home           Heathcliff, sou eu, Cathy, eu voltei para casa
                I'm so cold, let me in your window                       Sinto tanto frio, deixe-me entrar por sua janela
                Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home            Heathcliff, sou eu, Cathy, eu voltei para casa
                I'm so cold, let me in your window                       Sinto tanto frio, deixe-me entrar por sua janela

                Oh, it gets dark, it gets lonely                               Oh, aqui é escuro e solitário
                On the other side from you                                   Deste outro lado, longe de você
                I pine a lot, I find the lot                                       Eu definho tanto, eu percebo que o destino
                Falls through without you                                     Fracassa sem você
                I'm coming back love, cruel Heathcliff                 Estou voltando, amor, cruel Heathcliff
                My one dream, my only master                            Meu único sonho, meu único mestre
  
                Too long I roam in the night                                 Há muito tempo eu vagueio pela noite
                I'm coming back to his side to put it right            Estou voltando para o seu lado para consertar isto
                I'm coming home to wuthering, wuthering          Estou voltando para meu morro, meu morro
                Wuthering heights                                                Meu morro dos ventos uivantes

                Oh, let me have it, let me grab your soul away      Oh, deixe-me ter, deixe-me levar sua alma 
               Oh, let me have it, let me grab your soul away      Oh, deixe-me ter, deixe-me levar sua alma 
                You know it's me, Cathy                                         Você sabe que sou eu, Cathy

Fazendo mais uma menção honrosa, devo mencionar a música Afterglow, da banda de rock progressivo Genesis. A música faz parte do álbum Wind and Wuthering, cujo título faz referência ao livro em questão. Em oposição à primeira, o ponto de vista retratado na letra é de Heathcliff, com alguns trechos que falam exatamente da mesma parte do livro que a música de Kate Bush, citado abaixo:
               I caught a glimpse of in the night                       Eu colhi um vislumbre na noite      
              But now, now I've lost everything                      Mas agora, agora eu perdi tudo
              I give to you my soul                                          Eu te dou a minha alma
              The meaning of all that I believed before           O significado de tudo aquilo que eu acreditava antes
              Escapes me in this world of none                       Me escapa neste mundo de ninguém
              No thing, no-one                                                 Nenhuma coisa, ninguém  

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15 de fevereiro de 2018

Creepshow

Talvez eu tenha um apego por filmes de antologias de contos, é o que estou começando a constatar depois de vários posts assim por aqui. Pode ser que isso seja verdade, mas acho mais provável que eu apenas ache mais fácil e mais propício falar deles.
Assim, hoje vou indicar o filme Creepshow, de 1982, cujo roteiro é do Stephen King e no qual o próprio King atua. A direção é de George Romero, então, temos aí uma parceria para encher qualquer fã de horror de alegria. A ideia para o filme surgiu do desejo dos dois de homenagear as antigas revistinhas de horror que adoravam na infância/adolescência.
               Uma coisa muito legal do filme é a forma como eles conseguiram conseguiu misturar tramas de vingança, horror, mortos vivos e elementos “gore” com uma camada de humor bem latente.
O filme se passa no dia das bruxas e começa com uma discussão em família, que culmina no pai jogando fora uma HQ do filho, alegando que ela só traz bobagens e é inútil. A HQ em questão chama-se Creepshow e o que vemos a seguir são as cinco histórias contidas nela.
Dia dos Pais – Esse conto traz as consequências de atos de maldade e rabugice e nos mostra como a frase célebre do Sr. Madruga é verdadeira: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. Aqui vemos um romance frustrado, uma família cheia de rancor e pessoas que voltam dos mortos em busca de vingança.
A Morte Solitária de Jordy Verrill – Traz a história de um caipira que tem sua ruína pelo que pensa ser uma grande oportunidade de ganhar dinheiro. A história consegue ser uma hilária desventura com uma pitada de “A Cor Que Caiu do Espaço” (conto de Lovecraft) e O Monstro do Pântano (desenhado originalmente por Jack Kamen). Além disso, um dos pontos altos é ver a atuação do próprio Stephen King no papel do protagonista.
Indo com a Maré – Traz um marido vingativo e calculista, que traça um cruel e elaborado plano para se livrar de sua esposa e seu amante. Porém, a frase do Sr. Madruga mais uma vez se aplica e o marido traído não sai impune.
A Caixa – Ao descobrir uma caixa datada de 1.834 na faculdade onde trabalha, o zelador entra em contato com um professor. Curiosos sobre a genuinidade da caixa e seu conteúdo, os homens decidem abri-la e, liberam uma criatura sedenta por carne humana. O professor acaba contando o ocorrido para outro professor e, o que pode ser uma desgraça bestial para alguns, pode ser vista como uma oportunidade de ouro para outros.  
Vingança Barata – O trocadilho não poderia ser mais adequado. Este conto traz a história de um milionário que tem T.O.C. por limpeza. Assim sendo, preza por estar sempre em ambientes quase esterilizados, evitando qualquer contato com o exterior por seus insetos e bactéria. Eis que o homem que não suporta uma formiga, passa a ter problemas com baratas em sua fortaleza da limpeza. Os bichos que, outrora, foram dizimados do lugar agora voltam em busca de sua vingança, ou é o que parece...
Após todas as histórias de vingança apresentadas, algumas frustradas outras nem tanto, é a vez de voltarmos “à vida real”, onde o garotinho ainda inconformado com o fim dado a sua HQ, acha uma forma de fazer o pai (literalmente) sentir pelo que fez.
Recentemente, a editora DarkSide Books lançou a HQ Creepshow e como tudo feito pela editora, o primor da obra é tremendo. A edição é simplesmente~ a HQ que aparece no filme, com a mesma capa feita por Jack Kamen e contando as cinco histórias apresentadas no filme. As ilustrações foram feitas por Bernie Wrightson, um ilustrador excepcional que também tem um pé no horror, convertendo essa HQ numa verdadeira obra prima do horror.
Imagem de divulgação da editora DarkSide Books
                Você que já viu o filme ou leu a HQ, o que achou? Você que ainda não conhecia, não perde tempo” É muito fácil de achar o filme para download ou para ver online e a HQ está a venda em livrarias tanto físicas quanto virtuais.   
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12 de fevereiro de 2018

Ambedo

              Outro dia, recebi de uma amiga um link para uma matéria cujo título era "O Dicionário das Tristezas Obscuras". O título é bem autoexplicativo, então não vou explicar do que se tratava.
              O fato é que fiquei imediatamente obcecada com a palavra "Ambedo" e seu significado. Seria "Um tipo de transe melancólico no qual você se torna completamente absorto por pequenos detalhes sensoriais – pingos de chuva escorrendo pela janela, árvores altas se dobrando lentamente com o vento, espirais de creme se formando no café – o que, por fim, leva a uma avassaladora constatação da fragilidade da vida."

Sempre que não estou muito bem, a primeira coisa que some é minha vontade de escrever aqui ou de ler. Não consigo me concentrar para fazer nada que exija um pouco mais de atenção. Este começo de ano está sendo diferente. Estou tentando usar o "escapismo" da escrita e da leitura para amenizar o desgraçamento. Ansiedade pelas metas não cumpridas, pelo futuro incerto, por saber que tenho que me organizar e otimizar meu tempo e a frustração de falhar miseravelmente. Frustração de estar gastando energia e tempo em coisas tão intangíveis em vez de focar no aqui, agora, no que pode ser feito em vez do que deveria ser feito.
Até agora tem dado certo. Estou escrevendo com uma boa frequência, talvez você até tenha reparado. Tenho sido mais despreocupada, me dando ao luxo de escrever posts como este, sobre devaneios ou coisas bobas em que estou pensando e sem utilidade nenhuma para qualquer outro vivente.
Consegui estabelecer um ritmo confortável e aceitável para as minhas leituras e isso me deixa bastante feliz também.
Voltando a Ambedo, tenho apreciado me encontrar nesse estado, nesses transes. Aproveitando pequenas coisas, pequenas sensações. A felicidade de acordar e perceber que o dia está nublado, que você acordou cedo e sem sono, de ter um feriadão no qual você pode simplesmente fazer nada, de ser recebida com "lambeijos" pelos seus filhotes peludos, da pizza vir turbinada de recheio, de receber uma mensagem de uma amiga querida, estar entre pessoas queridas, presenciar uma conquista de um amigo. De certa forma, os problemas podem ter as dimensões que damos a eles e, sendo eu um grão de areia na infinidade do Universo, não creio que as coisas que me afligem sejam lá maiores que isso. Se forem, as alegrias devem ser proporcionais, ao menos.
No final, talvez o problema seja pensar demais em coisas demais, desnecessárias demais.A vida é isso, o que está acontecendo.


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5 de fevereiro de 2018

Metal: A Headbanger’s Journey

                  Este é um dos melhores e mais abrangentes documentários sobre Metal, em minha opinião.  Se você é apaixonado por Metal, com certeza, já se deparou com este documentário por aí. Por via das dúvidas, aqui estou eu, para não correr o risco de lhe deixar passar batido por essa pérola.  

O responsável por ele é o diretor, antropólogo e headbanger, Sam Dunn, que como um apaixonado pelo gênero, procurou fazer um estudo sobre o Heavy metal, desde sua origem, suas principais bandas e subgêneros para mostrar a influência deste estilo musical que ainda é marginalizado, porém, um estilo de vida para muitos.
Um dos fatores que contribuiu muito para o sucesso do documentário é que ele é feito de fã para fã, o que livra o documentário de estereótipos. Sam é um headbanger que começou a se apaixonar pelo estilo aos 12 anos, com medalhões como Iron Maiden e Sepultura. Daí foi abrangendo seu gosto e enveredando por outros subgêneros mais pesados e diversificados, como o thrash e death metal.

Lançado em 2005 e com duração de 90 minutos, o documentário nos apresenta a origem (nunca unânime) do Metal como conhecemos hoje. Depois, nos mostra a ‘árvore genealógica’ do estilo, com algumas breves explicações do gênero e suas bandas mais conhecidas. Temas gerais como a origem do "horn" que se tornou o símbolo do rock/metal, a fama de Lemmy com as mulheres, o satanismo do Black Metal e o maior festival de metal do mundo (Wacken Open Air) também são abordados com mais ou menos sucesso, dependendo dos artistas entrevistados.
É muito interessante ver também como Sam Dunn traz especialistas para falar sobre o gênero. Esses especialistas variam entre antropólogos, sociólogos e músicos consagrados nos mais variados subgêneros dentro do Metal. Dessas entrevistas são trazidas informações que vão desde o contexto social em que surgiram algumas das bandas e o interesse por certas temáticas, até a influência do legado de Richard Wagner (compositor clássico) e do blues americano para o Metal.
O documentário é incrível como um todo e de arrepiar qualquer fã desse gênero vasto,  apaixonante e libertador que é o Metal. Apesar de soar como uma verdadeira homenagem ao estilo, o documentário procura se basear num viés antropológico e sociológico do tema, o que só tem a agregar conteúdo e a distanciar de estereótipos. 
Como é até antigo, o documentário é super fácil de achar online e para download, na internet. Vários trechos, inclusive, estão disponíveis no YouTube, como a sensacional cena final, que você pode ver abaixo. 

Você já conhecia esse documentário? Se sim, me diz aí o que você acha dele, se não, está mais do que na hora de ver! Também fique a vontade para me indicar outros documentários, relacionados ou não à música/ metal, vou adorar conhecer!

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31 de janeiro de 2018

Nargaroth e Tarantino

Olá pessoas, tudo ordem?
O post de hoje é pura enrolação! Explico: Sabe aqueles momentos em que você finalmente descobre que sua inquietação com algo tem fundamento e fica feliz da vida? Tipo quando você escuta uma música e fica com aquela sensação de que conhece ela de algum lugar e depois de longos momentos de reflexão lembra de onde conhece? Pois é, foi o que aconteceu comigo há uns anos ao ouvir uma música do Nargaroth e, achando que pode ser de "utilidade pública", resolvi vir aqui compartilhar.
Pois bem, eis que essa semana estava eu escutando música despreocupadamente a caminho do trabalho, até que começou a tocar o disco Black Metal Ist Krieg do Nargaroth... Eu já tinha me inquietado algumas vezes com os gritos e os "FUCK YOU!" que são a introdução da música "I Burn For You", mas foi só muito tempo depois que percebi de onde eles me eram familiares.
Nesse momento eu tive a certeza: "Claro que isso é Tarantino!" E tudo ficou claro... Os gritos que a gente ouve na música são nada mais, nada menos que um trecho do diálogo entre o o policial Marvin Nash e o Mr. Orange, em "Cães de Aluguel".

Policial Marvin Nash: What the fuck are they waiting for? This fucking guy slashes my face, and he cuts my fucking ear off! I'm fucking deformed!
Mr. Orange: FUCK YOU! FUCK YOU! I'M FUCKIN' DYING HERE! I'M FUCKIN' DYING!

Trecho do Filme Cães de Aluguel


Música I Burn For You (Black Metal Ist Krieg)

Como eu disse antes: pura enrolação, mas decidi que este ano vou deixar de bobagem e postar alguns textos mais curtinhos, seja de aleatoriedades pessoais ou de curiosidades mesmo. Sei que EU fiquei bem feliz quando descobri a referência e espero que acrescente a algo a alguns de vocês também, nem que seja o fato de que "Kanwulf" além de fazer boas músicas também é apreciador de bons filmes. Hahaha
E vocês, conhecem a música ou o filme? Ou os dois? Me conta ai se você já sabia dessa referência ou se meu post teve alguma utilidade para você. hehe















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25 de janeiro de 2018

Dagon e O Forasteiro

Este é o primeiro post do Projeto Um Ano Com H. P. Lovecraft. Provavelmente só de olhar para o layout do blog vocês já constatam que eu adoro o universo deste autor e, por isso mesmo, não poderia ficar de fora deste projeto literário. A proposta do projeto é ler um conto do autor por mês e depois debater a respeito da leitura no grupo do facebook.
 Para dar início ao projeto, o mês de janeiro não ficou com apenas um, mas com dois contos: Dagon e O Forasteiro. Ambos são bem curtos e muito bons para introduzir os leitores na escrita e atmosfera características das obras do autor.
Dagon é um conto muito icônico na "bibliografia" de Lovecraft. Foi publicado pela primeira vez em 1919, na revista The Vagrant, e faz parte do que hoje se conhece como "Cthulhu Mythos" (ou Mitos de Cthulhu). "Dagon", a criatura abominável que dá nome ao conto foi a primeira desse panteão a sair da cabeça de H.P. Lovecraft, ainda em 1917.

O conto traz o relato de um homem inebriado por morfina e prestes a se suicidar. Durante a Primeira Guerra Mundial, o homem foi comissário da Marinha e foi justamente nesse período que ocorreram os horrores que o motivaram a decidir tirar a própria vida.

Zona de spoler
Ele conta que durante tal período, seu navio foi capturado por inimigos alemães, no Pacífico, mas devida a gentileza como eram tratados, ele conseguiu escapar facilmente em um pequeno barco.

Após dias a deriva, o narrador já estava temeroso por sua vida quando durante seu sono, o barco atracou em uma ilha. Ao acordar, teve a grata surpresa de se ver em terra firme, no entanto, o cheiro pútrido que exalava do que parecia ser uma ilha desabitada o deixou espantado. Estranhou ainda mais ver como o chão da ilha estava encharcado, como se tivesse acabado de emergir do mar.

Quando finalmente pôde explorar a ilha, descobriu nela uma obra arquitetônica que o deixou extasiado: um enorme monólito, com estranhos desenhos e inscrições, que parecia ter sido um objeto de adoração. Concluiu, horrorizado, mas com certa empolgação, que o lugar deveria ter sido habitado por seres muito antigos, mas conscientes, que adoravam o grotesco deus-peixe, representado no monolito.

Embasbacado pela descoberta das criaturas que outrora habitaram a ilha e seus deuses terríveis, mais antigos que o tempo, o narrador custa a se dar conta de que não é o único no lugar. Sua última lembrança antes de desmaiar é de uma enorme criatura tentacular cujo simples vislumbre foi o suficiente para questionar os axiomas da existência e não suportar mais uma existência num mundo que guarda horrores de magnitudes inconcebíveis.

Fim dos spoilers
“Não consigo pensar no mar profundo sem estremecer com as coisas inomináveis que podem neste exato momento estar arrastando-se e espojando-se em seu leito viscoso, adorando seus antigos ídolos de pedra e cinzelando a sua própria e detestável semelhança em obeliscos submarinos de granito encharcado. Eu sonho com o dia em que elas poderão ascender acima dos vagalhões para arrastar para o fundo com suas garras fétidas, os remanescentes de uma humanidade debilitada, exaurida pela guerra — o dia em que a terra deva afundar, e o fundo negro do oceano erguer-se em meio a um pandemônio universal.”

“Que tendo visto os homens de Asdode, disseram: Não fique conosco a arca do Deus de Israel, porque a sua mão descarrega duramente sobre nós e sobre Dagom, nosso Deus.” (Samuel 5:7)
Grande parte das inspirações para os contos de Lovecraft vinha de seus pesadelos constantes. “Dagon” foi inspirado em um deles.

Outro fato curioso é que o nome Dagon não é uma criação de Lovecraft. O autor costumava utilizar várias mitologias e deuses para construir seu panteão e suas histórias, sendo pioneiro na associação de antigos deuses a criaturas cósmicas ou extraterrestres. Assim, Dagom é o nome de um antigo Deus fenício, metade homem, metade peixe*, que inclusive, é citado na bíblia como um deus dos filisteus. Lovecraft mesclou o culto e a antiga entidade mitológica a sua história, amarrando bem o enredo através da atmosfera da criada.

Neste conto, como na maioria, o autor se aproveita de semelhanças com a realidade para depois nos colocar face a face com seu o horror cósmico. Com a dúvida sobre estarmos sozinhos neste mundo. Um primeiro contato com o grande "E se?" tão característico das obras do autor.

           Também podemos relacionar este conto com "A Sombra de Innsmouth", em que o protagonista chega à cidade que dá nome ao conto e começa a descobrir a relação de seus habitantes  com o antigo culto a um "deus-peixe" e como aquilo tem relação com as estranhezas que lá conhece. (Post AQUI sobre este conto

Ilustração de Patrick Dean
O conto “O Forasteiro”, foi publicado originalmente em 1926, na revista Weird Tales, que viria a lançar vários outros contos de Lovecraft. É um conto simples, mas de atmosfera bem construída, típico das obras do autor.
Através das palavras do narrador, somos apresentados a seu mundo de ignorância e escuridão. Assim como no Mito da Caverna de Platão, o narrador tem ciência de que há um mundo lá fora e, apesar de temer o que pode encontrar, aquilo o deslumbra.
Quando finalmente decide se aventurar em busca da luz, a encontra e também a beleza. Porém, pouco depois é surpreendido pela "monstruosidade" e fica aterrorizado pela revelação/ constatação que tem ao final da narrativa.
O conto nos faz questionar sobre as expectativas que as vezes criamos de algo e como elas podem nos mover em busca de nossos sonhos, mas também ser nossa perdição. A busca pelo convívio social e a posterior frustração de perceber que não se encaixa nos padrões para desfrutar desta podem ser muito mais duros do que a vida de privação na ignorância.
Sabendo que o próprio Lovecraft  tinha sérios problemas nas relações interpessoais, podemos encontrar elementos até autobiográficos na composição do conto e isso nos dá até um olhar mais impactante da obra.
            Lovecraft é, conhecidamente, fonte de referência para muitos autores, diretores  roteiristas, desenvolvedores de games e músicos. Uma das inúmeras músicas inspiradas em seu Universo é "It Grieves my Heart", da banda Draconian. Ela faz referência, especificamente, ao conto "O Forasteiro", conconta até com cicitações literais da obra original de Lovecraft. 
"I know always that I am an outsider; a stranger in this century and among those who are still men.| Eu sempre soube que sou um forasteiro, um estranho neste século e entre aqueles que ainda são homens."




*Em algumas traduções, Dagom não tem relação com água ou peixe, mas  significa Pão-Trigo.

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20 de janeiro de 2018

A Balada do Velho Marinheiro

Dando início a minha saga de ler autores renomados que nunca li e, ao mesmo tempo, conhecer melhor o poema que originou uma música incrível do Iron Maiden, me propus a ler A Balada do Velho Marinheiro, de Samuel Taylor Coleridge. Apesar de ser bem famoso e de já ter procurado o poema de Coleridge algumas vezes, nunca havia de fato lido a obra até dezembro do ano passado. Por causa da música, já tinha uma noção da história narrada no poema, mas ainda assim devo confessar que não foi uma leitura muito fácil.
Tenho certeza que não poderia ter escolhido melhor combo de literatura e música para começar esses posts. “The Rime of The Ancient Mariner” é uma das canções mais longas da discografia do Iron Maiden, com quase 14 minutos. Uma das coisas mais interessantes sobre a música é que e não tem apenas linhas inspiradas no poema de Coleridge, mas conta sua história e até de forma detalhada, com direito a citações literais da obra original. A letra aliada à voz de poderosa de Bruce Dickinson e às melodias por vezes agitadas e as vezes mais calmas, tais quais os momentos vividos pelo protagonista, nos passam muito bem os sentimentos de angústia, desespero e esperança que o Marinheiro carrega consigo. Abaixo vou colocar um resumo do poema e a letra da música ao lado da tradução e ao final o vídeo com a música, para que vocês possam ler enquanto ouvem. 
A história se inicia com um velho marinheiro que, ao avistar três convidados a entrar em uma festa de casamento, aborda um deles e, mesmo sabendo que o desejo do homem é entrar e desfrutar da festa, dirige seus olhos penetrantes ao convidado e põe-se a contar a história de sua vida e de sua tragédia no mar.

Hear the rime of the ancient mariner Ouça a história do velho marinheiro See his eyes as he stops one of three Veja seus olhos enquanto ele para um de cada três Mesmerizes of one of the wedding guests Hipnotiza um dos convidados do casamento "Stay here and listen to the nightmares of the sea!" "Fique aqui e ouça sobre os pesadelos dos mares!" And the music plays on, as the bride passes by E a música toca, enquanto a noiva passa por perto Caught by his spell, and the mariner tells his tale Cativado pelo seu encanto, e o marinheiro conta sua história

Começa sua história e a impaciência do convidado se converte em fascínio. Conta que navegava com uma tripulação quando o navio foi conduzido para o Sul, uma terra de gelo. Eis que em meio ao nevoeiro, surge um albatroz, pássaro visto como bom presságio para os homens do mar. Desde a chegada do pássaro a névoa não se dissipa, mas o navio começa a voltar para o Norte, lentamente. Sem motivo algum, o marinheiro mata a pobre ave e o navio volta a ficar a deriva. A tripulação, supersticiosa, coloca a culpa no ato cruel do marinheiro e como punição, penduram o cadáver do albatroz no pescoço dele, como um tipo de lembrete tanto para o marinheiro quanto para Deus, de quem era o causador da desgraça que lhes abatia.

Driven south to the land of the snow and ice Conduzido ao sul da terra de neve e gelo To a place where nobody's been Para um lugar onde ninguém esteve Through the snow fog flies on the albatross Por meio do nevoeiro voa um albatroz Hailed in God's name, hoping good luck it brings Aclamado em nome de Deus, esperando a boa sorte que ele traz And the ship sails on, back to the north E o navio navega, de volta ao norte Through the fog and ice and the albatross follows on Através do nevoeiro e gelo e o albatroz vem em sequência The mariner kills the bird of good omen O marinheiro mata o pássaro de bom presságio His shipmates cry against what he's done Seus companheiros reclamam contra o que ele fez But when the fog clears, they justify him Mas quando o nevoeiro desaparece, eles o perdoam And make themselves a part of the crime E acabam fazendo parte do crime Sailing on and on and north across the sea Navegando e navegando para o norte através do mar Sailing on and on and north 'til all is calm Navegando e navegando para o norte até que tudo está calmo

Diz que a partir daí começa a vingança do albatroz, pontuada pela enorme sede que abateu a tripulação a deriva, que ainda que rodeada de água, não tinham sequer uma gota de água potável para beber. Quando finalmente avistam um navio e enchem-se de esperança, notam que a embarcação está velejando sem vento e que traz apenas duas mulheres. Essas são a Morte e a Vida em Morte que jogam dados para ver quem ficará com os homens a bordo. A Vida em Morte ganha o marinheiro enquanto a Morte ganha os demais e, assim, caem mortos um a um os membros da tripulação. O marinheiro deseja compartilhar do destino de seus companheiros, porém "assim como os bichos do mar vivem, ele vive também".

The albatross begins with its vengeance O albatroz começa com a sua vingança A terrible curse, a thirst has begun Uma terrível maldição, uma sede começou His shipmates blame bad luck on the mariner Seus companheiros culpam o marinheiro pela má sorte About his neck, the dead bird is hung Sobre seu pescoço, é pendurado o pássaro morto And the curse goes on and on and on at sea E a maldição continua, continua e continua no mar And the thirst goes on and on for them and me E a sede continua e continua para eles e para mim Day after day, day after day Dia após dia, dia após dia We stuck nor breath nor motion Presos, sem nos mover e nem respirar As idle as a painted ship upon a painted ocean Tão parados como um navio colorido em um oceano pintado Water, water, everywhere, and all the boards did shrink Água, água por todo lado e tudo a bordo se foi Water, water, everywhere, not any drop to drink! Água, água por todo lado, e nem uma gota para beber! "There", calls the mariner Ali", grita o marinheiro "There comes a ship over the line" "Lá vem uma embarcação no horizonte" "But how can she sail with no "Mas como ela pode navegar Wind in her sails and no tide?" Sem vento e sem correntes?" See, onward she comes Veja, ela vem em frente Onward she nears, out of the sun Ela está se aproximando, vindo do sol See, she has no crew Veja, ela não tem tripulação She has no life, "wait, but there's two!" Ela não tem vida, "Espere, mas há duas!" Death, and she life in death A morte, e ela a vida em morte They throw their dice for the crew Jogaram os dados para a tripulação She wins the mariner Ela ganhou o marinheiro And he belongs to her now E ele pertence a ela agora Then, crew one by one Então, a tripulação um a um They drop down dead, two hundred men Caíram mortos, duzentos homens She, she, life in death Ela,ela, em vida em morte She lets him live, her chosen one Ela o deixou viver, o seu escolhido "One after one, by the star dogged moon "Um a um, sobre a lua rodeada de estrelas Too quick for groan or sigh Rápido demais para gemer ou suspirar Each turned his face, with a ghastly pang Cada um virou seu rosto atormentado And cursed me with his eye E me amaldiçoou com seu olhar Four times fifty living men Quatro vezes cinquenta homens And I heard nor sigh nor groan E eu não ouvi suspiro ou gemido With heavy thump, a lifeless lump Pesadamente, um vulto sem vida They dropped down, one by one" Eles caíram, um por um" The curse, it lives on in their eyes A maldição, vive em seus olhos The mariner, he wished he'd die O marinheiro, desejou ter morrido Along with the sea creatures Juntamente com as criaturas do mar But they lived on, so did he Mas elas viveram , então ele também 

Olhando então para as belas criaturas do mar, o marinheiro as abençoa. Aquele ato o redime de sua própria maldição e o albatroz cai de seu pescoço, afundando no mar. Espíritos bons tomam os corpos da tripulação morta e guiam o navio até a costa da terra natal do marinheiro, onde ele é salvo e o navio põe-se a afundar.

And by the light of the moon E sobre a luz da lua He prays for their beauty, not doom Ele reza pela sua beleza, não pela maldição With heart he blesses them De coração ele os abençoa God's creatures, all of them too Criaturas de Deus, a todas elas também Then, the spell starts to break Então, o feitiço começa a se quebrar The albatross falls from his neck O albatroz cai de seu pescoço Sinks down like lead, into the sea Afunda como chumbo no mar Then down in falls, comes the rain! Então, cai a chuva! Hear the groans of the long dead seamen Ouça os gemidos dos marinheiros mortos há muito tempo See them stir and they start to rise Veja eles se moverem e começarem a levantar Bodies lifted by good spirits Corpos levantados por bons espíritos None of them speak, and they're lifeless in their eyes Nenhum deles falam, e eles não tem vida em seus olhos tem vida em seus olhos And revenge is still sought, penance starts again E a vingança é ainda procurada, a penitência recomeça Cast into a trance and the nightmare carries on Preso em um transe e o pesadelo continua Now the curse is finally lifted Agora finalmente a maldição terminou And the mariner sights his home E o marinheiro avista sua casa Spirits go from the long dead bodies Espíritos saem dos corpos mortos a tanto tempo Form their own light and the mariner's left alone Formam sua própria luz e o marinheiro é deixado só And then a boat came sailing towards him E então um barco veio velejando de encontro a ele It was a joy, he could not believe Foi uma alegria, ele não podia acreditar The pilots boat, his son and the hermit O comandante do barco, seu filho e o eremita Penance of life will fall onto him A penitência da vida cairá sobre ele And the ship, it sinks, like lead, into the sea E o navio afunda como chumbo no mar And the hermit shrieves the mariner of his sins E o eremita perdoa o marinheiro de seus pecados

O marinheiro conclui para o convidado, que seu destino é andar e contar sua história onde quer que vá e espalhar a lição que aprendeu. Diz que deve ensinar a palavra de Deus através de seu próprio exemplo: que devemos amar todas as coisas que Deus fez e abençoá-las pois assim também nós seremos abençoados. Assim, o convidado fica refletindo sobre o peso dos pesadelos do marinheiro enquanto o velho se vai, rumo a encontrar outro ouvinte para sua história. 


The mariner's bound to tell of his story O marinheiro é destinado a contar sua história To tell his tale wherever he goes A contar esta história onde quer que ele vá To teach God's word by his own example A ensinar a palavra de Deus através de seu próprio exemplo That we must love all things that God made Que nós devemos amar todas as coisas que Deus fez And the wedding guest's a sad and wiser man E o convidado do casamento é um homem triste e mais sábio And the tale goes on and on and on E a história continua, continua e continua


A Balada do Velho Marinheiro é um poema importantíssimo para a literatura romântica inglesa. Traz um épico com elementos como: homens do mar, superstições, maldições e sobrenatural,  publicado pela primeira vez nas "Baladas Líricas".
                É uma leitura incrível, que apesar de um pouco complicada de início, é recompensadora. Se você é fã do Iron Maiden e/ ou de literatura, este poema é uma leitura que irá lhe engrandecer bastante e, sem dúvidas, aumentar suas referências e estima pela banda.

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