25 de julho de 2017

Carmilla

Este ano coloquei entre minhas metas de leitura ler obras que sempre quis ler e estão na minha fila há tempos, mas que até agora não li. Carmilla foi o primeiro da lista e só me animou a continuar firme com essa ideia.
Esta novela escrita pelo irlandês Sheridan Le Fanu já tinha sido recomendada várias vezes por amigos e apesar de já estar no meu Kindle há um tempo, nunca tinha tirado um momento para lê-la. Em março finalmente mudei isso.

A história é uma ficção gótica maravilhosa, porém bem simples. Narrada em primeira pessoa por uma jovem chamada Laura, que relembra os fatos e memórias do tempo em que passou na companhia da bela e misteriosa Carmilla. Começando com uma lembrança de seus 6 anos, quando acordou assustada e sozinha em seu quarto. 
Laura morava com o pai e alguns criados num castelo e, devido a distância do lugar a outras propriedades, não tinha a companhia frequente de amigas. Depois de ter frustrada sua expectativa de receber um velho amigo da família e desfrutar da companhia da filha que este traria, a jovem sai para um passeio com seu pai e durante este, testemunha um acidente com uma carruagem.
Apesar de não ter nenhuma vítima fatal, uma jovem que vinha na carruagem e que não gozava de uma saúde forte ficou bastante abalada, o que somado ao fato de que a viagem que faziam era de urgência, motivou a figura que dizia ser sua mãe a pedir que o dono do castelo, que oferecera ajuda, a hospedar a filha enquanto ela terminaria a viagem e resolveria os assuntos urgentes.
Por insistência de sua filha Laura, o dono do castelo consente em hospedar a jovem, que se apresenta como Carmilla. No momento em que encontram-se porém, há um choque pois Laura reconhece o rosto da outra como sendo o que lhe causara o susto na infância e Carmilla surpreende-a ao dizer que teve o mesmo sonho com o rosto de Laura. 
A partir de então as duas se tornam amigas e Carmilla demonstra uma imensa afeição a Laura, que contente com a amizade, ignora os estranhos hábitos da primeira, como levantar-se apenas no final da tarde, dormir de portas e janelas trancadas e comer muito pouco. 
"Funeral", ilustração de Michael Fitzgerald
As coisas começam a ficar estranhas quando duas coisas acontecem: a primeira é a entrega de um retrato da Condessa de Karstein, antepassada de Laura, que fora restaurado e cuja figura nele retratada apresenta grandes semelhanças com Carmilla.
O outro fato é começarem a ocorrer mortes de moças e mulheres na região do castelo. Primeiro associadas a uma epidemia de uma grave doença, mas depois atribuídas a coisas malignas, as mortes das jovens aconteciam após estas enfraquecerem aos poucos, terem alucinações e parecerem ter perdido sangue.
A certa altura, Laura cai doente e seu pai, disposto a levar a sério qualquer crendice para salvar a vida da filha toma algumas providências, que acabam por salvar Laura de um destino funesto.


O desfecho do conto fecha todas as pontas de forma bem feita e nos permite a constatação de que Sheridan Le Fanu nos presenteou com uma história muito interessante, apesar de simples e curta, que foi pioneira no uso de alguns elementos nas histórias de vampiros. Alguns deles são a figura da vampira (feminina), a vampira lésbica, o uso da sedução para atrair as vítimas e o vampiro como metamorfo, que assumia forma de animais.
Apesar de haverem várias outras similaridades nos enredos, só pelos elementos citados já podemos perceber o quanto "Carmilla" serviu de inspiração para Bram Stoker na criação de seu Drácula. Mas a sua importância não está só aí, o conto de Sheridan Le Fanu virou referência para muitos outros autores, sejam de livros ou de roteiros para cinema, e foi adaptado diversas vezes para o cinema e teatro.
Cena do filme The Vampire Lovers, retratando Carmilla e Laura

Super recomendo a leitura deste conto e espero que vocês não façam como eu e demorem tanto para conhecer esta belíssima obra. 



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