30 de setembro de 2016

M.E.D.O. - Movie Everyday In October

Hoje é o último dia de setembro e venho aqui apresentar um projeto bem legal que vai rolar mês que vem. Como Outubro é o mês do Halloween, já é dedicado ao horror/ terror por muitos bloggers e youtubers. Ano passado o projeto All Holow’s Read foi abraçado e divulgado pelo Pipoca Musical e muito bem recebido e como mais uma forma de fomentar a discussão sobre esses gêneros, os canais Leitor97 e Livro Minuto criaram o projeto M.E.D.O - Movie Everyday in October e é justamente sobre ele que vou falar aqui.

O nome do projeto já é bem autoexplicativo: ver um filme por dia no mês de outubro. Como o projeto é temático, os 31 filmes a serem vistos nessa maratona são ligados ao suspense e horror. Vários canais do Youtube foram convidados para ajudar na escolha dos filmes, entre os quais estão dois canais que adoro: o já citado Pipoca Musical e o Redatora de Merda.
A lista com os filmes sugeridos estão na imagem abaixo, mas nada impede que você adapte o desafio com outros filmes de sua preferência ou conforme a facilidade em encontrá-los. Acho que seria interessante respeitar os temas semanais propostos que são: “Monstrengos”, Psicológicos, Trash, Contemporâneos e finalizando com a “Sessão DarkSide”. Esta última escolhida pela DarkSide Books que obviamente é parceira do projeto e sugeriu filmes de sua coleção Cinebook. A Caveira fará dois sorteios entre os participantes: um no meio do mês de outubro (dia 15) e outro ao final (dia 31). 

Pretendo fazer posts semanais sobre o projeto aqui no blog, falando um pouquinho de cada um dos filmes vistos e seu gênero, se fiz alguma adaptação na lista de sugeridos, além de minhas impressões, claro! ^^
Espero que tenham gostado da ideia e que participem também! Vocês podem utilizar a hashtag #MEDO31 nas publicações que fizerem envolvendo o projeto e para saber mais sobre o M.E.D.O., participar dos debates e discussões do projeto é só entrar no grupo do projeto no facebook, aposto que será uma experiência muito proveitosa!



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23 de setembro de 2016

O Mundo de Aisha - A Revolução Silenciosa das Mulheres do Iêmen

Há pouco tempo aconteceu a Book Friday, na Amazon e com muitos títulos com um bom desconto, resolvi fazer umas aquisições que já queria há tempos, entre elas, o quadrinho “O Mundo de Aisha”, da editora Nemo.
O responsável pela HQ é Ugo Bertotti e ela é baseada nas fotos e entrevistas que a fotojornalista Agnes Montanari fez enquanto estava no Iêmen. Agnes foi ao país acompanhando o marido que estava na Cruz Vermelha, porém sabia pouco sobre o país além de que este tinha um dos mais baixos PIBs do mundo, apresentava uma enorme quantidade de armas (cerca de 2 por habitante, incluindo os recém nascidos) e de que Osama Bin Laden era originário dali. 
Lá chegando, a curiosidade acerca das misteriosas mulheres por baixo dos niqabs (véu negro que encobre todo o corpo, com exceção dos olhos) que são subjulgadas pela cultura patriarcal baseada em interpretações religiosas conservadoras.
“Cobertas de um véu negro da cabeça aos pés, elas andam na rua silenciosamente como fantasmas. Elas se chamam Sabiha, Hamedda, Aisha, Nabiha ou Ghada. Tantos nomes, tantos desejos escondidos ou reprimidos, tantas vidas acorrentadas por trás dos niqabs. De todas essas mulheres percebe-se apenas seus olhares expressando medo e esperança.”
A partir daí, somos apresentados a três histórias. A primeira é a de Sabiha, que ainda com 12 anos casou-se com um homem muito mais velho, num arranjo alheio a sua vontade. O matrimônio lhe apresentou as dores da restrição de liberdade e a violência doméstica que deixou-a paraplégica por se debruçar na janela sem niqab ao amanhecer, ferindo a honra do marido assim.
              A segunda história é protagonizada por Hammeda, uma empreendedora já de certa idade que desde muito jovem teve que virar para conseguir sustentar sua família sozinha, começando seus negócios dando abrigo e comida a soldados durante a guerra civil que o país enfrentou. Hoje, Hammeda é uma senhora respeitada como mulher e empreendedora, porém sua história traz o peso do preconceito e da hostilidade da comunidade local que enfrentou por muitos anos.  

A terceira e última história é a de Aisha, na qual conhecemos também Nabiha, Gada, e Sara e na qual a própria Agnes aparece como personagem. Nessa parte vemos as dificuldades que a jovem iemenita enfrenta: a pressão para começar a usar o niqab (caso de Aisha em particular), pressão para casar-se cedo, acesso restrito ao estudo, dificuldades para trabalhar em um ambiente em que a grande maioria é homem, enfrentar os olhares e preconceitos da sociedade mesmo usando o niqab, entre outros percalços.  
Vemos como o casamento é tido como a solução para o destino de garotas que são de família mais pobres, vez que não terão chance de estudar e que a família precisa garantir o sustento destas e se livrar do peso de uma boca a mais para alimentar. Com isso, os casamentos são arranjados muito cedo, por volta dos 11 anos da garota, que passa a ser de responsabilidade do marido e do qual seu destino irá depender.
Embora o descrito acima reforce um pouco a visão estereotipada que temos dos países muçulmanos, não se trata disso a HQ, pelo contrário. Acredito que tanto as fotos de Agnes quanto a HQ de Ugo tem o objetivo de humanizar as mulheres “sem rosto” e mostrar que debaixo do niqab tem um ser humano como qualquer outro que sofre pressões da sociedade, mas também que luta por seus objetivos e ideais. Os problemas enfrentados pelas mulheres iemenitas retratadas na obra podem nos causar certa aflição e aversão, mas devemos lembrar que aqui no ocidente nós (mulheres) também enfrentamos problemas de violência doméstica, preconceito e mesmo de arranjos de casamento de garotas muito novinhas também devido a pobreza.
Uma parte em especial que aborda que a liberdade e os problemas são uma questão de paradigma é o diálogo que Agnes tem com uma jovem arqueóloga, no qual a primeira esclarece que o uso do niqab não é um problema para as mulheres iemenitas, pelo contrário, este véu até proporciona certa liberdade com o “anonimato” e explica como. Outro momento desta conversa que é bastante interessante é quando Sara fala de liberdade feminina, fazendo um paralelo do uso do niqab com a rigidez dos padrões de beleza ocidentais, onde as mulheres tem que estar sempre a mostra e com uma aparência de acordo com o esperado.
Toda a densidade explorada pelos temas acima descritos é apresentada de forma simples e clara na HQ e pelas fotos de Agnes. O traço de Ugo lembra bastante o de Marjane Satrapi, em "Persépolis" o que é reforçado pelo fato desta HQ também ser toda em preto e branco e sua história se passar com mulheres e a Religião Islâmica ter grande peso.
Recomendo grandemente a HQ, que aborda temas tão densos de forma magistral. "O Mundo de Aisha" tem 144 páginas e é facilmente encontrado em livrarias online. 
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20 de setembro de 2016

Eu, Cthulhu

O post de hoje é com a indicação de um conto inspirado na figura mais famosa de Lovecraft, Cthulhu. O conto é "Eu, Cthulhu" (I, Cthulhu), fanfic cujo autor é ninguém menos que Neil Gaiman, figura bem presente aqui no blog.

Este conto foi lançado originalmente em 1986 e traz uma história curta e divertida com esse ser icônico da mitologia Lovecraftiana. Nele, Cthulhu está narrando sua autobiografia para Whateley, seu escravo humano e conta fatos interessantes de sua vida como seu “nascimento”, juventude e como encontrou Terra e aqui veio se aconchegar.
Ilustração de Brian Elig
Um dos pontos mais legais é ver a quantidade de referências que o conto traz. Quem já é familiarizado com os contos de Lovecraft e Chambers (especificamente O Rei de Amarelo), irá aproveitar a leitura ainda mais. Contudo, aos que não leram e querem ler o conto sem perder nada, tenho outra dica para dar.

A dica é ler o conto no Site “Mundo Tentacular”. Este site em si, é uma ótima ferramenta de conhecimento sobre o Mestre de Providence e outras obras de Terror/Horror, mas especificamente aqui você irá encontrar o conto de Gaiman traduzido e todas as referências com as respectivas explicações embaixo.

Aos que quiserem ler o conto no idioma original, ele está disponível no Site do Neil Gaiman (link para o conto) e aos que preferirem ler em português em pdf ou no e-reader, compactei o arquivo e vocês podem baixar por aqui, inclusive com as referências que o Mundo Tentacular traz.

Não é dos melhores contos de Neil Gaiman, mas é super curtinho e vale a leitura, especialmente se você já for admirador da escrita do Gaiman ou das obras do Lovecraft. Espero que gostem!




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15 de setembro de 2016

Blackfish

O post hoje é dedicado ao documentário Blackfish, que trata da exploração da orca Tilikum e seus descendentes pelo parque aquático Sea World, que foi o pioneiro nos espetáculos com esses gigantes do mar.
No documentário, vemos o quão nocivo é esse cárcere que prejudica de forma irreversível a vida desses animais, que apesar de viverem "muito bem" conforme o parque, passam por torturas que vão desde ao confinamento em espaços minúsculos para suas dimensões, até a vida forçada em pequenos grupos ou a separação das famílias que são trazidas ao parque ou que nascem em cativeiro.
Acompanhamos relatos desses maus tratos e suas consequências tanto para os animais quanto para a equipe de treinadores. Alguns desses fatos foram bastante veiculados na grande mídia devido a alguns ataques a adestradores do parque, dos quais três óbitos foram resultantes.
É bem interessante ver a opinião de especialistas acerca da vida que as Orcas têm em seu habitat natural e como o confinamento acaba estressando os animais (mesmo os que já nasceram no parque). A dor das mães orcas ao serem separadas de seus filhotes, a vida confinada em pequenos espaços e a expressividade no olhar dos animais realmente comovem.
Além disso, também são entrevistados ex treinadores do parque que relatam como os animais eram tratados e como hoje enxergam que eles não eram felizes, apesar da política do parque tentar institucionalizar nos funcionários e clientes que aquele ambiente é ótimo para os animais e que simula o habitat natural deles muitos bem.
Este documentário causou um grande impacto ao expor as condições dos bichos que servem de atração para o parque, comovendo bastante a população americana que passou a ir bem menos aos espetáculos e diminuiu sensivelmente os lucros que os parques tinham.
Como consequência da polêmica causada pelo “Blackfish”, o Sea World anunciou que irá parar de criar orcas para seus espetáculos... Infelizmente, os animais que o parque possui vão continuar servindo de atração e os planos são de que alguns dos parques deixem de ter shows com Orcas a partir de 2017. Ainda assim, é um avanço. 
Recomendo muito este documentário, que foi um dos grandes responsáveis por mudar a imagem que muitos tinham sobre os shows do Sea World, causando a desvalorização das ações do parque, a diminuição de seus lucros e as consequentes providências.
Se você se interessou e pretende ver o documentário, "Blackfish" está disponível na Netflix e também é facilmente encontrado no Youtube, então, não terá problemas para achá-lo. 





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13 de setembro de 2016

Dark Sanctuary

Hoje vim indicar pra vocês uma banda com um som atmosférico/neoclássico da qual gosto muito, a francesa Dark Sanctuary.
           Formada em 1996, essa banda traz uma combinação harmoniosa de música doce e sombria, com muito violino, piano, órgão, vocais líricos e uma atmosfera bem fantasmagórica. São vários elementos que eu amo e que juntos soam como o paraíso.

Embora essa discrição, a primeira vista, possa remeter a uma lista sem fim de bandas de metal sinfônico que apresentam alguns desses elementos, um dos diferenciais do Dark Sanctuary é que esta não é uma banda de metal. A banda raramente faz uso de guitarras em suas músicas e quando o faz, é por pouco tempo.
 Outro fato interessante sobre a banda é que a maioria das músicas dela são cantadas em francês, o que pra mim, acrescenta uma camada a mais de beleza e delicadeza às músicas, que já têm um tom bem sombrio.
 Os temas das canções vão de anjos a amor e paraíso. As músicas sempre apresentam-se lentamente, e os doces vocais quase chegam a ser hipnóticos, se encaixando com os instrumentos em segundo plano. Como se isso não fosse suficiente para caracterizar uma atmosfera obscura, temos ainda alguns outros elementos como o soar de sinos de igreja, trovões e chuva caindo, por exemplo.
 Desde o inicio, a banda já trazia uma proposta musical, ao meu ver, no mínimo atraente: combinar elementos do folk, medieval e neoclássico, embora a formação inicial da banda contasse com apenas dois integrantes. Foi inclusive com essa formação: Arkdae (teclados) e Marquise Ermia (vocais) que eles gravaram seu primeiro trabalho, Funeral Cry, que continha uma única faixa de quase 20 minutos.
 Em 1998, outros membros juntaram-se ao Dark Sanctuary, incluindo uma outra violinista, iniciando logo em seguida, as gravações de seu primeiro álbum, "Royaume mélancolique", e fazendo, neste mesmo ano, sua primeira apresentação em público.
 No ano seguinte, eles assinaram com a gravadora "Wounded Love Records", e gravaram seu segundo álbum “De Lumièreet d’Obscurité”, lançado em 2000. Este é um dos meus álbuns favoritos da banda, porém foi seu terceiro álbum, "L'Etre Las-l'enversdumiroir", o responsável por estabelecer a banda como uma das maiores deste estilo, devido a seu enorme sucesso na França e na Alemanha.
           A banda possui sete álbuns e não posso deixar de indicar dois: "De lumière Et d’Obscurité" e "LesMemoires Blessées", que são os meus favoritos e que, felizmente, estão disponíveis no spotfy. Aqui embaixo tem uma pequena playlist minha para lhe apresentar ao atmosférico som do Dark Sanctuary, espero que gostem!
  
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10 de setembro de 2016

O Coração Delator, #12MesesDePoe

Escrevi este post com ainda mais satisfação que o habitual pois o conto de agosto do #12MesesDePoe foi “O Coração Delator”, que é um dos meus contos favoritos de Poe. Este conto foi publicado pela primeira vez em 1843 e é daqueles que consegue envolver o leitor desde o início, causando estranheza e curiosidade para entender realmente o que se passa na cabeça do narrador.
A história é narrada por um homem que afirma veementemente que é são, no entanto, as perturbações que ele relata retiram muito da credibilidade dele. Não nos é dito seu nome ou quem ele é, ele apenas se descreve como um servo fiel de um senhor de idade avançada. Por isso, somos levados a crer que o narrador é um cuidador do idoso. Apesar disso e de dizer que nutre certo afeto pelo velho (que nunca lhe fez nenhum mal), o narrador diz que um dos olhos do idoso tem algo de demoníaco, e confessa que este lhe desperta sentimentos de repulsa e de perturbação cada vez mais difíceis de controlar.
 Decidido a por um fim nessa angústia, o homem resolve espreitar o velho no meio da noite, esperando confrontar seu “olho demoníaco”. Assim, durante várias noites ele abre delicadamente a porta do quarto do velho, a espreita, mas vendo que o idoso está dormindo e que a razão de seu tormento não está a mostra, vai embora. Até que um dia, por um descuido, o velho desperta e o fio da lanterna do narrador encontra o olho ‘terrível’ do senhor. Ao perceber que algo estava errado e não receber resposta, o idoso vai ficando cada vez mais nervoso e seu coração palpitando cada vez mais forte, ao ponto de ser ouvido pelo narrador, o que lhe dá o incentivo necessário para executar seus planos e destruir a causa de seu tormento. O desfecho do conto é bem interessante e não deixa dúvidas sobre a sanidade do narrador que a todo tempo tenta convencer o leitor que é um homem são, apenas bastante angustiado.
 O foco da narrativa são os terrores enfrentados pelo narrador, suas motivações e ações para acabar com o sofrimento causado pelo estranho olho de seu senhor, que pela descrição, provavelmente é um olho com catarata. Não são feitas descrições do velho, do próprio narrador ou mesmo da casa do velho, onde a história se passa, porém a descrição angustiante e o fato da maior parte dos acontecimentos ter ocorrido durante a noite já é o suficiente para trazer a atmosfera de suspense e angústia a mente do leitor.
 A história até nos lembra um pouco os contos “O Demônio da Perversidade” e “O Gato Preto”, tanto por querer achar uma justificativa externa para uma ação nefasta praticada quanto por evidenciar a loucura do narrador a medida que a narrativa avança, mesmo que este esteja plenamente convencido de sua sanidade. 
 Fazendo mais comparações, aqui vemos se repetir a aflição causada pelos olhos perturbadores de um personagem, assim como no conto "Morella". É como se Poe representasse através dos olhos desses personagens suas almas, que servem como catalizadores de sentimentos de forma tão profunda a ponto de despertar angústia e até insanidade em outrem.
 Apesar disso, tem características bem singulares também e a leitura é obrigatória para quem quer conhecer as obras de Allan Poe. A forma com que o narrador descreve sua história, conversando diretamente com o leitor e explicando suas angústias é bem interessante e funciona muito bem vez que mesmo que não consiga criar uma empatia verdadeira, conseguimos entender um pouco de seu infortúnio. Um dos grandes méritos de Edgar Allan Poe é justamente este, de nos trazer personagens atormentados por coisas banais e fazer com que o leitor realmente passe a crer que aquela simples coisa, objeto/animal ou situação pode mesmo desencadear a loucura em uma mente sã ou com predisposição a isso.


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30 de agosto de 2016

Neonomicon, Alan Moore

Se Lovecraft já é sinônimo de criaturas e histórias incríveis (literalmente), imagina esse nome aliado a AlanMoore! Como já dito no post sobre os autores que inspiram, o sr. Moore transforma tudo que toca em ouro!
           Que Lovecraft é uma referência assumida de Alan Moore, não é novidade. A novidade foi quando Moore lançou uma HQ baseada no universo de Lovecraft, no que poderíamos chamar de uma fanfic sensacional.

A narrativa traz uma investigação do FBI a uma série de assassinados que parecem estar relacionadas com as obras de Lovecraft. Na trama, os agentes a frente do caso resolvem pedir uma ‘consultoria’ a um criminoso para solucionar o caso, bem no estilo "O Silêncio dos Inocentes". No entanto, não seria Alan Moore no roteiro se não tivesse a originalidade característica do autor e, neste caso, o toque de genialidade está no fato de que o criminoso que ajudará a polícia simplesmente só fala na língua dos “Deep Ones”.
Com o desenrolar da história, os agentes descobrem (uma em especial, de forma bem tensa) uma seita macabra que cultua os monstros lovecrafteanos em rituais repletos de orgias e de terrores inimagináveis.
A arte é muito boa e a história incrível (apesar de ser curtinha) e pesada. Justamente por esta última característica, causou uma bela polêmica na época de seu lançamento pelo uso meio exagerado de violência e sexo, especialmente pela parte que envolve um estupro coletivo e super bizarro.
"Neonomicon" não é o melhor trabalho de Moore, que já chegou a dizer que escreveu este roteiro apenas para quitar uma dívida com o imposto de renda. Pela declaração a gente percebe que este não foi um trabalho cujo autor se empenhou tanto, mas Alan Moore é Alan Morre e mesmo suas obras "mais simples" estão acima da média e valem muito a pena a leitura.
             Indico muito essa HQ aos fãs de Alan Moore e também aos de Lovecraft. Aos primeiros por já estarem acostumados a genialidade e até tendências a chocar o leitor, aos segundos por trazer de forma gráfica, uma história que retrata o universo do mestre nos dias atuais de forma brilhante e envolvente, deixando o suspense e o horror em evidência. 


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