29 de novembro de 2016

Berenice, #12MesesDePoe

Apesar de ter publicado bastante aqui em Outubro, o post sobre o conto do mês para o #12MesesDePoe não saiu.  Em minha defesa, eu até li o conto em tempo e comecei a escrever, porém não consegui me focar para terminar o post e como o conto era o icônico Berenice, resolvi fazer sem pressa para não sair algo "de qualquer jeito".
Ilustração de Nelson Evergreen 

O conto narra em primeira pessoa a história de Egeu, um rapaz que não foi muito saudável durante a infância e literalmente, nasceu na biblioteca de sua casa. Por sua fragilidade física, o narrador era mais introspectivo e cultivava prazeres nas coisas do intelecto, especialmente na leitura. Na vida adulta, desenvolveu monomania, uma doença em que sua atenção era desviada por algo (poderia ser qualquer coisa, mesmo a mais simplória) e nela ele ficava absorto por um tempo considerável, como que em um transe.
Na mesma casa onde Egeu nasceu e cresceu, vivia sua prima, Berenice. Ao contrário dele, a jovem teve uma infância bem mais enérgica, na qual os passeios ao ar livre eram recorrentes, o que potencializava seu espírito vivaz.
No entanto, as coisas começam a mudar quando Berenice é acometida por uma estranha doença, que a deixa cada vez mais frágil, inclusive mudando sua aparência física. Motivado pela compaixão e não por amor, Egeu pede a prima em casamento, mesmo que a figura dela abalada pela doença lhe cause certo tremor. Se a aparência doente de Berenice lhe causa arrepios, pior é quando, ao acaso, Egeu vê os dentes dela em meio a um sorriso. Talvez pela dualidade de ser a única parte do corpo dela aparentemente inalterada pela doença ou pelo destaque que estes têm ao vislumbrar a imagem completa do que a prima se tornara, Egeu fica transtornado e passa a ficar obcecado e paranoico com seus dentes.
Este terror causado pelos dentes de Berenice no narrador é um dos principais pontos apontados por quem entende que ela é uma vampira. Outros pontos no conto também podem reforçar esta ideia, mas nada é claro quanto a isso. Muitas pessoas acreditam nisso tanto pelas partes no desenvolvimento do conto que podem deixar isso subentendido quanto pelo sentido que o final do conto passa a ter.
A parte dos leitores que não interpreta o conto como vampiresco, e na qual eu me incluo, atribui a doença de Berenice a ataques epiléticos e surtos de catalepsia, o que também pode ser reforçado durante a leitura.

❝ Diziam-me os amigos que, se eu
visitasse o túmulo da amiga, minhas preocupações seriam suavizadas.

Poe costumava usar uma parte do corpo de algum personagem como objeto de pavor/ obsessão de outro. Em Morella e n’O Coração Delator são os olhos, em Metzengerstein e em Hop Frog são os dentes que carregam uma aparência perturbadora/ odiosa. Aqui em Berenice, tem seu auge, quando o narrador se vê fixado neles, desencadeando um surto de sua monomania que culmina no final violento.
Tanto pelo teor do conto quanto pela violência contida nele, os leitores a época de sua publicação original ficaram horrorizados, o que motivou a remoção de quatro parágrafos do conto nas publicações posteriores. Como vi em comentários no grupo do projeto no Facebook, acho que é justo dizer que até hoje a maioria das edições não contém essas partes suprimidas. A minha é uma das que não contém. 
Mesmo apresentando elementos conhecidos como o personagem central atormentado, os objetos de obsessão já falados no parágrafo anterior e a figura feminina bela, mas frágil e moribunda, Berenice tem em suas peculiaridades o narrador cujo nome sabemos e a violência mais acentuada do que qualquer um dos outros contos lidos até agora para o #12MesesDePoe.


SPOILER >> Aos que ficaram curiosos para saber se leram a versão completa ou a editada, é só atentar para o momento em que Egeu visita Berenice antes de seu enterro. Os quatro parágrafos removidos são uma descrição deste momento, onde o protagonista percebe que a prima está viva. 



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21 de novembro de 2016

Oeste Vermelho

Pode ser que você não saiba, mas tenho um grande apreço por roedores e lagomorfos. Com isso em mente, não era de se estranhar que eu trouxesse Oeste Vermelho para casa sem pestanejar depois de apenas folhear a HQ por alguns segundos.
 Esta obra é de dois quadrinistas gêmeos, mas não, não se trata de uma obra de Fábio Moon e Gabriel Bá, mas sim de Marcelo e Magno Costa, que foram incríveis na criação deste western, vulgo faroeste, cujos personagens são gatos e ratos.

O enredo é até bem simples: os ratinhos habitantes de uma pacata cidade do velho oeste são surpreendidos com um boato sobre terríveis gatos chacinando uma cidade próxima. Alguns ficam extremamente receosos, outros preferem ignorar a história, mas o que era boato se torna um fato e os malfeitores sanguinários chegam até Nedville. Após promoverem um banho de sangue, os gatos seguem para outra cidade, porém, um dos ratos não está disposto a deixá-los impunes e segue em uma jornada em busca de sua vendeta.

Pela premissa, você pode me dizer que não vê nada de novo. Eu sou obrigada a concordar. Talvez Oeste Vermelho seja parecido com muitas coisas que você já viu antes, seja por seus animais antropomorfizados (já visto em Maus), por ser um western onde o mocinho quer vingança pelo bando que arrasou com sua cidade, etc. Porém, uma coisa da qual estou cada vez mais convencida é que, sendo bem desenvolvida, mesmo uma trama 'conhecida' pode se destacar. 
Este é um caso em que a história não é inovadora, porém a execução a torna uma excelente HQ. Partiu de uma ideia descompromissada, com uma premissa simples, e se converteu em uma ótima HQ, que distrai, empolga e diverte o leitor e acho que esse era o objetivo dos artistas.     

A arte da HQ é muito boa e fiquei especialmente impressionada com o talento do ilustrador para retratar os ratos de forma tão realística. As cores também chamam a atenção e a escolha da paleta usada foi muito acertada, na minha opinião. 
 Além disso, outros pontos de destaque da HQ são os enquadramentos bastante cinematográficos e também a quantidade de sangue... 

Essencialmente, Magno Costa é o responsável pelo roteiro e storyboard e Marcelo Costa é o ilustrador e colorista da HQ. No entanto, há um epílogo onde Magno é quem desenha e, nesta parte, o traço é bem diferente do restante da HQ, mais cartunesco.

Quando comprei a HQ, sabia claramente que o tinha feito porque tinha gostado muito das ilustrações de ratinhos que vi nela, mas ela conseguiu me surpreender positivamente e mostrou que além de ratinhos, uma arte e cores lindas, ela tem um roteiro bem eficiente para prender sua atenção.
 O resultado do trabalho é incrível e indico sem medo!


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7 de novembro de 2016

Framed In Blood

Já faz tempo que eu quero começar a fazer posts mostrando o trabalho de algumas fotógrafas/ artistas que trabalham com o lado mais dark das artes. 
O incentivo que faltava foi dado pela fotógrafa Carolina Ziwian, da loja Framed in Blood, que me enviou alguns Printables lindos, para que eu conhecesse um pouco mais de seu trabalho. Então hoje, eu irei apresentá-lo a vocês e mostrar algumas de suas artes incríveis.

A Carolina começou a fotografar em 2014 e em 2015 abriu uma loja virtual, onde coloca algumas de suas artes a venda e, o melhor, elas podem ser adquiridas em vários formatos. 
Foto da Carolina

Como eu já disse, eu recebi os Printables (enviados por e-mail), aí só tive que imprimir e colocar nas molduras para usar como decoração. Porém, na loja você poder adquirir a arte já impressa e emoldurada, além de ter a opção de estampar a arte em camisas, canecas, bags e mesmo almofadas. 

Printables já na parede da minha sala
    Eu não tinha molduras, então, acabei fazendo algumas com coisas que tinha em casa. Achei que o resultado foi bem satisfatório, mas como as imagens roubam a cena mesmo, o que as envolve é o de menos...  
Algumas opções de printables/ posteres

Algumas opções de canecas
Imagens estampadas em almofadas <3


As artes da Framed in Blood têm uma atmosfera mais obscura e até vampiresca, onde elementos como castiçais, taças e crânios são bem frequentes, mas também há espaço no catálogo para os personagens macabros da cultura pop. A coleção Framed Horror se caracteriza justo por isso: trazer vários personagens icônicos do terror, como Vampira, Frankenstein, Nosferatu e o Zé do Caixão. Outra coisa legal desta coleção é que ela não traz apenas personagens, tem artes também com alguns criadores, como os autores Lovecraft, Poe e Bram Stoker.


Além disso, a Carolina também faz ensaios fotográficos, então, se você é de São Paulo e é ou tem pretensão de ser alt model, ou mesmo quer tirar umas fotos com uma profissional, pode entrar em contato através do inbox da página do Facebook ou Instagram ou pelo e-mail framed_in_blood@yahoo.com.br e fazer o orçamento.  


Espero que tenham gostado de conhecer a Framed in Blood. Eu estou tão apaixonada pela nova cara da minha sala que estou com vontade de sair colocando quadros pela casa inteira! Haha





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3 de novembro de 2016

Doutor Estranho

Hoje, mais uma vez, venho falar de longa metragem, porém dessa vez vamos sair do gênero de terror e entrar no universo de super heróis Marvel com “Doutor Estranho”.
Neste filme, o universo cinematográfico da Marvel, que já contava com humanos muito poderosos, alguns com mutações genéticas e até semideuses, agora ganha magia e distorções na realidade e no tempo.
A história traz a trajetória de Stephen Vincent Strange, um neurocirurgião renomado e que, ciente de seu brilhantismo como profissional, cultiva um ego inflado e uma grande arrogância. Sua vida muda quando sofre um terrível acidente e perde o controle pleno dos movimentos das mãos, suas principais ferramentas de trabalho.
Após gastar sua fortuna com tratamentos modernos em busca de recuperar suas capacidades e não obter sucesso, apela para a busca alternativa de cura e segue para a cidade longínqua de Kamat-Taj. Lá, encontra um grupo de feiticeiros que mudarão para sempre seus paradigmas e percepções sobre a vida, o Universo e tudo mais.
A partir daí, o cético doutor começa sua jornada do herói através de portais interdimensionais e realidades extraordinárias, distorcidas ou espelhadas, para se transformar num dos magos mais poderosos e habilidosos do universo.
Acho que a escolha dos atores foi muito acertada em todas as escalas. Benedict Cumberbatch é um ator extremamente carismático e consegue passar bem a essência do personagem: arrogante e insensível, a princípio, mas que ainda consegue ser simpatizado. O espectador consegue ser  convencido por sua mudança gradativa, que humaniza o personagem ao passo em que ele vai se conscientizando dos segredos e grandezas do universo. Tilda Swinton também é brilhante em sua interpretação da anciã, que, mesmo sendo uma das magas mais poderosas do universo, consegue transmitir leveza e simpatia.
Visualmente falando, acredito que Doutor Estranho é o melhor filme Marvel. Os portais, usos da magia, realidades distorcidas e mesmo as batalhas travadas com esses recursos são encher os olhos. A psicodelia nas cores e cenas realmente impressiona e proporciona tanta imersão que até te deixa meio tonto. Fora isso, ainda tem os recursos da narrativa e a simbologia atribuída a alguns elementos que conferem ao final uma carga extra de emoção e significado.

Um dos pontos fracos do filme talvez seja a pouca importância do vilão, que embora tenha deixado suas motivações implícitas e tenha sido muito bem interpretado por Mads Mikkelsen,  não empolga ou preocupa muito. Ainda acho que funciona bem para o filme, mas se o vilão fosse mais poderoso, o filme poderia ter sido ainda melhor.

“Doutor Estranho” tem um tom um pouco diferente dos outros filmes da Marvel (é um pouco mais sério, mas não tão denso quanto Capitão América -Soldado Invernal). Ainda assim, conta com os alívios cômicos consagrados pelo estúdio e acho que estes estão bem encaixados na narrativa. Entretanto, acho que este pode ser outro ponto que pode gerar uma controvérsia.

Um ponto que não dá pra ignorar são as semelhanças dos aspectos superficiais deste filme com o primeiro Homem de Ferro. Os dois eram homens ricos, geniais, bem sucedidos e, por isso arrogantes, que após sofrerem um trauma são expostos a uma nova realidade e se tornam mais poderosos conforme evoluem como pessoa. Além disso, os protagonistas são interpretados por atores extremamente competentes e carismáticos. No mais, acho que Doutor Estranho é um elemento peculiar e inovador que pode ser muito bem aproveitado no mundo dos vingadores. Se isso vai acontecer, só saberemos daqui a um tempo, mas a primeira cena pós créditos já dá uma boa pista.

Eu adorei o filme. Achei super empolgante, bem feito, com um roteiro que apresenta muito bem o personagem e te faz sair do cinema adorando o Doutor Estranho. Além disso e das atuações, a direção de Scott Derrickson merece muito destaque, especialmente, por ter alcançado uma dosagem muito equilibrada de realidade e sobrenatural, que estrutura bem o filme e o deixa tão bom.

Vale muito a pena ir vê-lo no cinema e, eu mesma, pretendo ir ver novamente.
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31 de outubro de 2016

#M.E.D.O. #5 - Cinebook

Cá estamos nós para o último post do MEDO - Movie Everyday In October. Os três últimos filmes do projeto foram escolhidos em parceria com a Editora DarkSide Books e fazem parte da sessão Cinebook, “Filmes para Ler”.
Essa sessão de livros da DarkSide, como o próprio nome sugere, tem foco em filmes clássicos. Alguns desses livros são o romance que deu origem ao filme (como “Menina Má”, de William March), outros tem material sobre a gravação do filme, fotos inéditas e até roteiros (como Donnie Darko e Sexta feira 13, por exemplo).
Como aconteceu em todos os posts do desafio, não segui a risca a lista sugerida. Desta vez, deixei apenas um filme da lista original. Assisti Horror em Amityville no lugar de Donnie Darko (uma escolha que me deixou menos desgraçada da cabeça, certamente) e Sexta feira 13 ao invés de O Massacre da Serra Elétrica.
Então, é isso. Vamos aos filmes!

#1 Menina Má (1956)
Fiquei muito feliz em ter este filme na lista, pois faz pouco tempo que li o livro que deu origem a ele (veja o post aqui) e já estava curiosa para ver a adaptação.
Em português, o título ficou “Tara Maldita”, acho que só pra continuar a tradição de traduzir toscamente mesmo, vez que a tradução literal “Semente do Mal” teria ficado infinitamente melhor.
Achei o filme incrível! Talvez o ritmo seja meio lento para alguns, no entanto, devemos lembrar que ele é de 1956, logo, o timing não era o mesmo dos filmes atuais. A fidelidade ao livro é impressionante e, mesmo com alguns pequenos detalhes modificados, acho que este é um dos casos que ver o filme antes pode atrapalhar terrivelmente a experiência de leitura. A maior divergência entre o filme  é o livro é o final, então, se você já leu e ainda não viu o filme, ele tem algo inédito pra você.
A narrativa traz como figura central Rhoda, que parece ser uma criança maravilhosa: educada, alegre, organizada e que nunca se suja. No entanto, a frieza da garota diante da morte de um colega de classe que, dias antes, havia ganho uma medalha que ela queria muito, faz com que sua mãe comece a suspeitar de que há algo errado e maligno com sua filha.

Por que eu deveria sentir pena? Foi Claude Daigle quem se afogou, não eu!

O filme deixa latente o mesmo questionamento do livro: o mal é uma consequência do ambiente ou pode alguém carregar uma semente dele que pode brotar independente do meio em que a pessoa cresça?
As atuações são incríveis, especialmente a de Rhoda, interpretada por Patty McCormack que convence como uma criança meiga e mais ainda como uma assustadora manipuladora. Nacy Kelly (a Sra. Penmark) e Eileen Heckart, intérprete da Sra. Daigle (mãe do garotinho que morre) também merecem destaque.
Super indico o filme e o livro!

#2 Horror em Amityville (2005)
O filme que vi foi o remake do filme de 1979, lançado em 2005. Ambos são baseados no livro de Jay Anson (recentemente lançado pela Darkside Books), que por sua vez, é baseado em uma história real.
O enredo é sobre a família Lutz composta por George, sua mulher e seus três enteados, que se mudam para uma casa na Rua Ocean Avenue, em Amityville. No momento da compra da casa eles até ficam sabendo que o futuro lar, no passado, foi palco de brutais assassinatos, mas partindo do princípio de que “casas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”, eles acabam comprando a casa mesmo assim.
Felizes e empolgados por estarem vivendo o sonho americano de ter uma boa casa onde viverão felizes, a família  começa a notar o acontecimento de estranhos fenômenos que transformarão este sonho num verdadeiro pesadelo.
O filme é bem legal e é daqueles que trabalha bastante em cima dos jump scares, mas a construção da tensão e do roteiro também são bem feitas. Desta última parte, claro, temos  que relevar alguns clichês e escolhas não muito inteligentes dos personagens, mas nada que exija demais da sua paciência.
Depois do filme, fiquei bem curiosa para ler o livro e bastante feliz com o fato de que a Caveirinha lançou uma edição em português, o que vai facilitar bastante as coisas…
Outra coisa que fiquei pensando é no quão legal seria ver um filme dos demonologistas Ed e Lorraine Warren nesse caso, já que eles estiveram lá e ficaram bastante abalados com o que viram, como vemos no começo do filme Invocação do Mal 2.


#3 Sexta feira 13 (1980)
O último filme que escolhi para a sessão Cinebook da DarkSide foi o clássico Sexta feira 13, cujo livro publicado pela Caveirinha, “Arquivos de Crystal Lake”, disseca os acontecimentos, bizarrices e curiosidades das filmagens do longa nas palavras de David Grove. Outras coisas legais deste livro são as fotos inéditas que ele traz e seu prefácio, escrito por Tom Savini, responsável pela maquiagem e efeitos especiais do filme.
O filme é de 1980 e foi dirigido por Sean S. Cunningham. A história, creio que todo mundo conheça… Um acampamento de férias (Crystal Lake) é fechado após o terrível assassinato de um casal, ocorrido pouco tempo depois da morte do afogamento do jovem Jason Voorhees, que acampava no local. Vinte anos depois, um empresário resolve reabrir o local e colocar alguns jovens para trabalhar lá durante a temporada de verão. O resultado é o esperado: Em 95 minutos de filme, vemos um a um, os jovens monitores serem assassinados por um misterioso e implacável assassino mascarado.
Acho que este filme (ou os que o seguiram dessa franquia) foi o responsável por lançar diversos clichês e a regra de ouro: nem pensar em acampar com o (a) namorado (a) com segundas intenções!
A premissa pode não ser das mais incríveis, mas morte após morte, a curiosidade acerca da identidade do assassino e suas motivações  vai prendendo a intenção do espectador.
Com várias cenas que se tornaram clássicas e sangue para dar e vender, Sexta Feira 13 trouxe Jason e o consagrou como um dos personagens de terror mais icônicos de todos os tempos. O personagem ganhou inúmeras sequências, um crossover e é referência para vários slashes que o seguiram.



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30 de outubro de 2016

#M.E.D.O. - Semana #4


Chegando na reta final do projeto #M.E.D.O. - Movie Everyday in October (clique aqui para ver os posts anteriores), os sete filmes desta semana tiveram como tema “Terror Contemporâneo”.
Para ver a lista dos filmes que vi e minhas impressões sobre eles, é só continuar lendo este post!


#1 A Bruxa (The Witch, 2015)
Esse filme gerou uma polêmica imensa quando saiu e ninguém que viu ficou indiferente a ele. De amor ou de ódio, as pessoas deram suas opiniões fervorosas na internet e, adianto, se você procura jump scares e um rítmo Hollywoodiano, esta não é uma escolha boa para você.
A história se passa na Nova Inglaterra no século XVII e começa com a família protagonista sendo expulsa da pequena comunidade onde viviam e tendo que deixá-la. O casal extremamente religioso e seus 5 filhos partem em busca de um novo lar e após dias de viagem, acham uma clareira onde decidem se estabelecer. Começam a tocar a vida, plantando e até criando alguns animais, como era comum da época. No entanto, a plantação simplesmente não prospera e o local afastado de tudo mostra-se cada vez mais hostil. Apesar de não terem sua fé abalada, começam a temer que tenham desagrado Deus de alguma forma e o infortúnio deles seja fruto disso. Tudo piora ainda mais quando o filho mais novo do casal, ainda bebê, some misteriosamente enquanto estava sob supervisão de Thomasin, a filha mais velha. Como não há rastros do quê ou quem levou o bebê, eles presumem que foi algum animal, como um lobo. No entanto, a proximidade de uma floresta sinistra da casa também ascende o temor de que pode ter sido trabalho de alguma bruxa, figura feminina muito comum na época, que a igreja julgava ser enviada de satanás e cujas ações assombravam o imaginário dos religiosos.  Essa atmosfera de fé doentia junto com o isolamento e hostilidade do local onde vivem, começam a fomentar a tensão na família que faz Caleb (filho mais velho do casal) querer tomar responsabilidades maiores para tentar proteger sua família e a mãe ver Thomasin como um bode expiatório.
É relevante dizer que o filme foi concebido a partir das lendas da época em que se passa, quando as pessoas eram muito supersticiosas e atormentadas pela ideia de estarem próximas a buxas, que eram tão reais quanto os pássaros e porcos, inclusive tendo sido alvo de várias caçadas. Se você conseguir imergir nessa atmosfera, sentirá as angústias da família e a perturbação que a simbologia de algumas figuras (como a lebre branca, o bode preto ou o corvo) pode causar.
Fora o brilhantismo do enredo e direção, as atuações também são ótimas, especialmente da atriz que interpreta Thomasin, que consegue trazer uma jovem mulher estigmatizada e sempre culpada por toda desgraça a sua volta. Os outros filhos são os gêmeos Mercy e Jonas, que também merecem muito destaque, junto com o bode da família, o Black Phillip (<3).


#2 HUSH – A Morte Ouve (2016)
O enredo é bem simples: Uma escritora que devido uma meningite na adolescência perdeu a audição se vê encurralada em sua própria residência por um psicopata que resolve torturá-la psicologicamente antes de matá-la.
Maddie, a protagonista, é bem convincente como uma mulher forte e inteligente que faz de tudo para conseguir sobreviver aquele horror, sem nada daqueles exageros que a fariam parecer uma super heroína.
O vilão não é alguém muito expressivo, e, no início usa inclusive uma máscara, mas que depois a tua para que Maddie possa ler seus lábios.
A trilha sonora do filme é bem legal, contando com algumas partes em que o silêncio é completo, para que possamos entrar no mundo silencioso da protagonista.
Tem violência, mas nada muito longo, o terror psicológico é maior.
É um bom filme, tem na Netflix.


#3 Circle (2015)
Circle é um filme interessante, mas pela premissa ou pelas cenas iniciais eu achei que ele seria melhor.
O enredo começa com dezenas de pessoas (talvez umas 50 ou 60)que acordam em lugar misterioso e, logo percebem que não podem tocar umas nas outras ou sair do pequeno círculo individual pintado no chão (que forma um grande círculo). Nem um deles sabe como ou porquê está lá e começam a conjecturar hipóteses sobre essas questões. Não tarda para que descubram que estão em uma espécie de jogo em que votam em qual deles será o próximo a morrer. Essas “eliminações” ocorrem a cada dois minutos e começam a aparecer pessoas com teorias de quem deve ser o próximo e porquê, vez que eles não tem como parar aquilo. Embora não haja certezas, eles vão testando teorias de como o “jogo” funciona, sempre com a incerteza de como será o final daquilo, se haverá ou não um sobrevivente.
A partir de então vemos uma amostra de como  é a sociedade: pessoas ativas e manipuladoras, outras que só querem ter alguém a quem seguir, outras que sempre preferem se abster de conflitos e etc. A ética e a moral delas vai sendo testada a cada “rodada” e as verdades absolutas sobre o certo e errado, para várias delas, não vale ali dentro.
É um filme legal, com uma premissa boa, com atuações bem regulares, mas ao terminar de ver, nada me tirava aquela sensação de que “faltou alguma coisa”.  Ainda assim, acho que é um filme que merece ser visto e, como está disponível na Netflix, não exige muito esforço para isso.


#4 Corrente do Mal (It Follows, 2014)
A história se passa com uma adolescente que, após transar com o garoto com quem estava saindo, descobre que ele lhe passou uma maldição. Essa maldição consiste em ser perseguida e assassinada por uma entidade misteriosa capaz de apresentar várias formas e que não a deixará em paz. Com isso, a única forma de se livrar dela é passando essa maldição (através do sexo) a outra pessoa.
A partir daí a garota, sua irmã e um amigo começam a fazer de tudo para que a garota permaneça viva e se livre de sua maldição.
Achei interessante ler que a maldição do filme pode ser uma metáfora para a perda da virgindade na adolescência, com o peso que isso tem na vida de uma garota, fazendo-a lidar com os julgamentos alheios (ou paranóias) a respeito disso. Não sei se isso procede, mas acho que essa ideia torna a trama mais interessante.
De toda forma, achei o filme bem legal. Apesar dos clichês e atuações oks, ele sabe segurar sua atenção e criar uma tensão envolvendo a trama que é mais que o suficiente para se destacar da maioria dos filmes do tipo.


#5 Babadook
Este filme é um terror psicológico muito bom e foi um dos que mais me surpreendeu até hoje. Fui ver o filme despretensiosamente e após seu fim eu estava boquiaberta.
A história se passa com Amélia, uma mulher que ainda sofre pela trágica perda do marido em um acidente, e, seu filho de sete anos, Samuel.
Samuel é uma criança complicada, de um temperamento difícil, daquelas que quer resolver tudo no grito e que ganha pelo cansaço. Ele começa a ficar muito aterrorizado com medo de monstros supostamente vindos debaixo da cama. Até aí nada de anormal, crianças tendem a ter esses medos. Tudo piora vertiginosamente quando eles acham um livro (que nem sabiam que tinham), cujo título é Babadook. O livro é daqueles popups, o que dá a ideia de ser um livro infantil, mas a medida que a mãe lê para o garoto, vê que é bizarro e assustador. A criança acaba ficando paranoica vendo o tal Babadook em todo lugar.
Vemos aí o tormento da mãe, tentando mostrar ao filho que seu medo é infundado, até que, obviamente, ela entra em contato com essa 'criatura', o que acaba mexendo com a mente dos dois, deixando-os beirando a loucura.
O final do filme é bem interpretativo e, claro, muita gente o detestou... Eu adorei e achei bem original.
[Spoilers >>] Na minha interpretação, a lição improvável que o filme deixa é que nem sempre podemos extinguir o mal de nossas vidas, as vezes, precisamos mesmo é aprender a conviver com eles e a controlá-los.


#6 Celular (2016)
Baseado em obra de quem? Exatamente, mais uma adaptação de livro do Stephen King!
A história tem como protagonista um quadrinista, Clay Ridell, que sobrevive a um surto bizarro causado por ondas emitidas pelos celulares. Os atingidos começam a babar, apresentar comportamentos assassinos e, embora fisicamente pouco além dos olhos  mude, eles tornam-se verdadeiros zumbis.
Clay só consegue pensar que sua (ex) mulher e filho estão em perigo e decide fazer o que puder para chegar até eles e salvá-los. No percurso, ele encontra algumas outras pessoas que o ajudam ou recebem sua ajuda para continuar sua jornada.
A medida que o filme se desenrola, eles percebem algumas peculiaridades acerca do comportamento dessas pessoas infectadas e vão se guiando por essas descobertas para conseguirem se manter vivos. Contudo, uma questão que passa a ter muita importância é se daria para reverter aquele caos e qual o papel das torres de celular naquela situação, afinal, elas são as responsáveis por difundir o sinal “zumbifcador”.
É um filme legal, mas que não tem nada de muito memorável, sem brilhantismo nem nas atuações nem nada de muito original no subgênero de zumbis.  


#7 Mártires (2008)
O último filme desse tema já ganhou post específico, que você pode ler aqui. O francês mártires consegue trazer sangue, violência e terror psicológico em um roteiro que trabalha tudo isso de forma interessante.
Sugiro que leiam o post, não tem spoilers, prometo!



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27 de outubro de 2016

A Ascensão da Casa dos Mortos

Ganhei o livro "A Ascensão da Casa dos Mortos" num sorteio de All Hallow's Read ano passado, do Pipoca Musical. Bem na semana do All Hallow's Read deste ano, cá estou eu para dar minhas impressões acerca do livro cujo autor é o brasileiro Lemos Milani, que apesar de jovem, já comprova seu talento para a escrita neste livro.  


Ambientada no Rio de Janeiro, a história começa quando o patriarca da família dos Anjos, o juiz Alexandre, sofre um AVC, atribuído ao estresse por excesso de trabalho. Sua noiva, Samara, sugere que a família tire alguns dias para descansar após a alta de Alexandre, o que é acatado pelo casal de filhos adolescentes do juiz (Julieta e Santhiago). Como o “retiro” será encerrado com uma festa de aniversário para Samara, a família resolve levar algumas outras pessoas para dividir o tempo de descanso e também participarem da festa. Após alguma procura, Samara parece ter encontrado o local perfeito para o retiro: um casarão antigo na serra, a Mansão Morrigan.
Lá chegando, todos ficam maravilhados com a beleza do local, mas alguns deles (especialmente os jovens) não conseguem se sentir inteiramente relaxados no local o que só se agrava após algumas coisas estranhas começarem a acontecer. 
Confesso que o início me deixou um pouco entediada, acredito que pelo fato dos protagonistas serem adolescentes e eu não gostar muito de histórias que puxam para esse lado. Os diálogos iniciais também me incomodaram um pouco porque não os achei muito verossímeis, mas assim que a trama pega ritmo, você vai se empolgando e fica realmente muito curioso para saber o desenrolar da história e quais segredos guardam a tal mansão.
Uma das coisas mais legais é a construção da tensão que o autor faz, fugindo dos fantasmas abstratos demais e que não conseguem causar nenhum mal real. Aqui o perigo é muito mais tangível do que estamos acostumados a ver e a casa está sedenta por sangue, armando armadilhas para confundir os sentidos e percepções dos visitantes.
O livro é dividido em dias após a chegada do pessoal na mansão e acho que isso foi um grande acerto, pois essa contagem ajuda a aumentar a tensão junto com cenas contundentes que vão ficando cada vez mais comuns.
Um dos pontos negativos, para mim, foi o excesso de personagens na trama. Foi perdido tempo da narrativa em apresentá-los e inseri-los na trama quando vários destes não fariam a mínima diferença para a história. Às vezes menos é mais, e acho que esse tempo poderia ter sido melhor aproveitado desenvolvendo os protagonistas da história ou o próprio suspense.
“A Ascensão da Casa dos Mortos” é um livro da editora Estronho e, eu que nunca havia lido nada da editora, fiquei bastante impressionada com a qualidade gráfica da obra. A impressão, diagramação e a arte que compõe o livro são muito boas, com fotos de estátuas (que têm ligação com a história) e pequenos poemas em cada intervalo dos capítulos, que ajudam a imergir no cenário da história.
Em suma, acho que o livro é uma interessante obra e uma ótima forma de conhecer mais da ficção de terror nacional. Apresenta uma narrativa instigante e entrega uma boa história, que consegue ser original e surpreender o leitor. 
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