15 de agosto de 2016

Lovecraft: Fear of the Unknown

Há algum tempo, fiz um post com uma pequena biografia de Howard Phillips Lovecraft aqui no blog. Hoje, venho aqui outra vez falar da vida e obra deste autor, mas agora, com uma dica de documentário.


Sempre acabo falando o quão importante foi Lovecraft para a literatura fantástica, mesmo achando que esse tipo de apresentação não é necessária. Para não me estender, vou deixar uma citação que vai dar a dimensão da relevância do icônico autor de Rhode Island:

 Agora que o tempo nos permite olhar para a sua obra com algum distanciamento, parece não restar dúvida de que H.P. Lovecraft permanece insuperado como o maior expoente do horror clássico do século XX. — Stephen King

Hoje sabemos até bastante sobre a vida de Lovecraft, especialmente se atentarmos para o fato de que, por pouco, seu legado não ficou no esquecimento. Para difundir ainda mais a vida e obra do autor, em 2008, o  diretor Frank Woodwark produziu o documentário “Lovecraft: Fear of the Unknown”. Em 90 minutos de documentário, somos apresentados a fatos da vida do autor desde sua infância até a morte em decorrência do câncer intestinal aos 46 anos. Além disso, sua escrita e as peculiaridades desta também são discutidas, bem como o impacto de suas obras para o mundo literário.
Ele que é considerado o pai da literatura de terror moderna se tornou referência para autores que o seguiram, mas não só isso. Lovecraft inspirou cineastas, desenvolvedores de games, desenhistas, músicos e pessoas de vários outros segmentos.  Por isso mesmo, muitos rostos presentes no documentário são de pessoas bastante conhecidas na atualidade que são fãs declarados de Lovecraft e usam seu legado como inspiração. Entre eles, podemos citar Guillermo Del Toro, Neil Gaiman, John Carpenter, Peter Straub e Caitlin R. Kiernan
Além das entrevistas, o documentário traz algumas imagens do autor (muito embora hajam poucas), cartas enviadas por ele e ilustrações inspiradas em suas criações. Os participantes do documentário falam sobre alguns dos contos mais famosos de Lovecraft que são intercaladas com a narração de trechos dos mesmos. Também toca em temas polêmicos que rondam Lovecraft, como o racismo, xenofobia e anti-semitismo, sem colocar panos quentes, mas sem sensacionalismo.
By Abigail Larson 
Lovecraft: Fear of the Unknown” traz bastante informação, mas diretor consegue fazer com que não fique algo conturbado ou cansativo para o expectador.  Por esta razão, acredito que seja uma ótima fonte de conhecimento ou aprofundamento aos interessados por literatura de horror ou pelo próprio Lovecraft. Recomendo profundamente este documentário .

  A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido. 

O documentário legendado em português é facilmente encontrado na íntegra no YouTube, como você pode ver abaixo. 





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12 de agosto de 2016

A Sombra de Innsmouth

No dia 20 de agosto de 1890, nasceu Howard Phillips Lovecraft. Dono de um senso crítico incrível, Lovecraft conseguiu definir a estrutura ideal dos contos de horror e escreveu obras icônicas seguindo essa fórmula. No seu mês de aniversário, haverá um pequeno especial de posts sobre suas obras e obras inspiradas em seu Universo.
Para começar, escolhi a única obra lançada em livro durante a vida do autor* e que também é uma das minhas favoritas: A sombra sobre Innsmouth. Instigante e aterrorizante, este livrinho de 129 páginas tem um poder impressionante de fisgar o leitor e deixá-lo cada vez mais ansioso pelo desenrolar da história.
By Joel Harlow
O conto é narrado por Robert Olmstead, que está viajando pelo país em busca de antiquários, arquitetura antiga e sua própria genealogia. Ele se depara com Innsmouth quando é apresentado à opção de economizar algum dinheiro pegando um ônibus até lá para de lá pegar outro até seu destino. Ninguém recomenda que ele faça isso, pelo contrário. As pessoas o desencorajam com inúmeras advertências que vão desde a falta de hospitalidade com forasteiros até a grotesca aparência dos nativos que dizem sofrer de uma bizarra doença cutânea. 
Ficamos sabendo que apesar de nem constar mais em mapas, Innsmouth foi uma próspera cidade portuária onde os peixes nunca ficavam escassos. Rumores davam conta de que a cidade era dominada por cultistas de estranhas criaturas marinhas, até ser atingida pela Peste, em 1846. Não se sabe exatamente qual a doença que acometeu aquele lugarejo, porém após a epidemia a cidade passou por um período de isolamento e ruiu aos poucos, até se transformar naquele lugar decadente.
Apesar dos avisos, Robert é movido pela curiosidade e resolve incluir Innsmouth em seu percurso. Já na ida, no estranho ônibus, nota a aparência esquisita que os habitantes de lá apresentam, bem como o desconforto dos innsmouthianos~ com sua presença.
Ao chegar à cidade, o narrador percebe a falta de transeuntes nas ruas e estranhos vultos esgueirando-se pelas sombras. Explorando a arquitetura, acaba encontrando um velho bebarrão da cidade, que lhe conta uma história de como a cidade se transformou no cenário fantasmagórico que o narrador vê. Contudo, é algo tão surreal que o protagonista julga ser apenas alucinação da cabeça do alcoólatra.  
Após um imprevisto, o narrador se vê obrigado a passar a noite em Innsmouth e aí as coisas se agitam. Robert descobre coisas que jamais imaginou e que podem mudar sua opinião sobre a história do velho.
By Mihail Bila
Será possível que nosso planeta tenha de fato engendrado tais criaturas? Que olhos humanos possam mesmo ter visto, na substância da carne, o que até então o homem só havia conhecido em devaneios febris e lendas fantasiosas? E no entanto eu os vi em fileiras intermináveis – debatendo-se, saltando, coaxando, balindo – uma bestialidade crescente sob o brilho espectral do luar, na sarabanda grotesca e maligna de um pesadelo aterrador.

A descrição dos lugares, personagens e acontecimentos é algo bem trabalhado no conto. Detalhes fazem diferença e nada é colocado sem propósito na narrativa: todos os acontecimentos apresentados têm reflexo na história posteriormente e isso é muito legal durante a leitura. O final é outro ponto forte dessa obra, pois é muito bem arquitetado para que não fiquem pontas soltas, mas ainda assim, consegue surpreender.
Nesse conto são exploradas facetas características do autor, como o questionamento do protagonista sobre a própria sanidade, o elemento desconhecido que vem causar horror sendo infiltrado no meio cotidiano, além de como o homem pode se colocar em situações terríveis, seja pela consequência de suas próprias escolhas ou por uma força invisível e antinatural.
Ainda assim, neste conto nos deparamos com um fato incomum nas obras do autor: o que houve em Innsmouth foi grande o bastante para ter que ser contido por uma providência do governo. Normalmente os terrores apresentados nas obras de Lovecraft ficam contidos em uma micro ou pequena escala, muitas vezes sendo visto ou sentido apenas pelo protagonista do caso.
Talvez eu tenha falado mais do que deveria da história, mas esse é um daqueles casos que saber como as coisas aconteceram é bem mais importante do que saber o que aconteceu. Justo por isso acredito que essa seja uma grande porta de entrada para os que querem conhecer o autor, pois faz com que fiquemos instigados a ler página após página até o final e a querer explorar mais o universo do autor após o termino.
Livro da Editora Hedra
Minha edição é a da Editora Hedra, que tem feito um excelente trabalho com as obras de Lovecraft, tanto pela quantidade de títulos lançados quanto pela qualidade e cuidado da parte gráfica. As capas são muito bonitas, os livros muito bem diagramados e, além disso, também trazem sempre algum material extra do autor que vão de biografia até algumas cartas escritas por ele. Uma ressalva sobre essa edição em especial fica na introdução, que entrega um pouco do livro e que por isso recomendo que só leiam após lerem o conto em si.

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1 de agosto de 2016

O Escaravelho de Ouro, #12MesesDePoe

O conto "O Escaravelho de Ouro" foi publicado originalmente em 1843 e é o conto de Julho para o #12MesesDePoe.
Uma coisa interessante sobre "O Escaravelho de Ouro"  é que, ao contrário dos outros contos lidos no projeto, este não é um conto permeado pelo sobrenatural, apesar de envolver um certo mistério, o fator chave para desvendá-lo é a investigação baseada na análise de fatos e objetos. Acho a escolha deste conto especialmente boa por por mostrar a versatilidade do autor.


O conto é ambientado no século XIX, numa pequena ilha da Carolina do Sul onde vivem William Legrand e Júpiter. O primeiro é um jovem de família nobre, mas que já não tem muitas posses, e o segundo, é um ex-escravo da família que apesar de livre não quis deixar seu ‘sinhôzinho’, sendo como um escudeiro para William. Júpiter também é responsável por trazer alívio cômico ao conto . 
O outro personagem do conto é quem narra a história. Ele é um velho amigo de Legrand, cujo nome não é revelado (mais uma vez).
O enredo se inicia quando o narrador-personagem faz uma visita a Legrand, que está excessivamente empolgado com seu último achado: um escaravelho dourado. William tenta retratar o escaravelho em um pedaço de pergaminho para o ele (o narrador), porém, a figura de uma caveira surge mais destacadamente. Ao notar a falta de empolgação do narrador acerca do escavelho, Willian fica frustrado e estranhamente alterado. O narrador, vendo o comportamento do amigo, beirando a obsessão, fica preocupado e resolve partir.
A partir daí, Júpiter e o narrador começam a alimentar o temor de que o ‘escaravelho de ouro’ (como diz Júpiter)  tenha desencadeado algum mal em Legrand, vez que o comportamento deste fica cada vez mais estranho.
Tempos depois, em outra visita, Legrand convence Júpiter e o narrador a lhe acompanharem em uma expedição, jurando que o resultado desta irá por fim aos temores de ambos e de sua obsessão com o escaravelho.  Eles partem então para o meio da floresta, num ponto afastado da ilha, mesmo sem saber bem o porquê.
Descobrimos que Legrand achara no pergaminho pistas sobre um tesouro pirata há muito perdido e o intuito da expedição é achá-lo.  Lá pelas tantas, vemos os personagens cavando buracos mesmo sem saber a razão para isso, num misto de desconfiança e determinação.  Após uns imprevistos causados pela pouca astúcia de Júpiter, os três acabam encontrando o que Legrand previra, para grande espanto de dois deles.
Por fim, temos a explicação de Legrand de como foi juntando as pistas e analisando-as até saber da existência do tesouro e como chegar até ele . Percebemos aí, como o ‘escaravelho de ouro’ foi apenas uma figura secundária que acabou levando ao pergaminho e ao tesouro.
 Este conto é bem diferente do estilo que estamos habituados de Poe. Ele deixa o sobrenatural de lado e apresenta uma história com o enfoque analítico como cerne de tudo. Muitos já devem ter ouvido falar que Poe foi o pai do romance policial moderno pelo qual Sir Arthur Conan Doyle e seu Sherlock Holmes se consagraram, e, apesar de não ter havido nenhum crime no caso, o poder analítico de Legrand pode ter servido de inspiração na criação de Sherlock, assim como o Mosieur Auguste Dupin, protagonista do icônico "Assassinatos na Rua Morgue"(1841).


Não acho que o conto irá realmente surpreender ninguém, pois mesmo Poe tendo sido pioneiro, já fomos bombardeados por histórias que usaram dos mesmos artifícios e nos deixaram mais habituadas a esse estilo. Ainda assim, tenho certeza de que será uma ótima fonte de distração e diversão. 
Apesar deste ser um conto bem famoso de Poe, eu nunca o tinha lido e fiquei bem feliz em poder conhecer coisas novas do autor. Também fiquei bem satisfeita com a praticidade de achar o conto. Isso porque a Anna fez um compilado com os 12 contos do projeto e disponibilizou em alguns formatos lá no blog dela (link aqui, caso interesse a alguém).




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27 de julho de 2016

E-reader: vale a pena?

Fiz aniversário há pouco tempo e entre os presentes que ganhei estavam livros maravilhosos (incluindo meus primeiros da DarkSide <3) e um Kindle.
Devo dizer que nem sempre fui muito fã da ideia de ter e-reader. Sou daquela galera que adora poder pegar o livro, sentir os detalhes da capa e, claro, cheirá-los!

O que acontece é que de segunda a sexta eu faço uma maratona por dia: vou cedo para o trabalho e de lá vou para a faculdade onde fico até quase 10 da noite. Por isso, tenho que levar para todo lado uma mochila muito mais pesada do que eu ou minha coluna gostaríamos. Carregar livros para ler no ônibus e em quaisquer outras brechas de tempo no meu dia já é algo institucionalizado, porém muitas vezes não conseguia ler uma página sequer e o peso nas costas fazia muita diferença ao fim do dia.
Por sua leveza e praticidade, o Kindle passou a ser uma opção cada vez mais interessante, então, quando me veio à oferta de tê-lo, aceitei sem pestanejar. Fazem menos de dois meses desde que ele chegou, mas já posso dizer: foi um dos melhores presentes que já ganhei na vida!

             Se vale mesmo a pena comprar um e-reader, a resposta é depende. Acho que se você é uma pessoa que já tem o hábito de ler e que costuma comprar livros vale super a pena sim! No entanto, se você quase não lê, talvez não seja a melhor forma de empregar seu dinheiro.
Meu aparelho é o mais simples (Kindle 7) disponível na Amazon e seu preço costuma ser R$ 299,00, mas sempre têm promoções onde  ele sai por R$ 199,00 (às vezes até com frete ou capinha grátis). Isso significa que o investimento para a compra deste e-reader é equivalente ao preço de 6 livros, mais ou menos. Se você lê menos que essa quantidade de livros por ano, pode não ser um bom investimento, já que mesmo que o e-reader não tenha 'validade', acho que não é interessante adquirir um aparelho que mal será usado.

A lista de vantagens é enorme, começando pelo alívio nas costas, já que você pode ter centenas de ebooks dentro de um mesmo aparelho e levar várias opções de leitura onde for e carregando menos peso que um livro de bolso.
A praticidade de fazer notas ou marcações sem necessidade de post-its também é bem legal, além de não cansar os olhos com a leitura, pois a tela se assemelha muito ao papel e ainda é anti-reflexo, o que proporciona bastante conforto na hora da leitura.
Você pode escolher a fonte e o tamanho da letra. Isso é dar adeus aquele probleminha de comprar o livro que você tá louco pra ler, naquela edição linda, mas que tem a letrinha minúscula (impossível pra quem gosta de ler no ônibus/ metrô).
A agilidade que a tecnologia proporciona, te poupa de esperar dias até o livro que você comprou online chegue até você, e, a sincronia com seus outros aparelhos te permite continuar a leitura onde estiver e ter acesso a suas notas. Fora isso, o Kindle tem uma bateria que dura muito (em média um mês) e ainda traz  dicionário e tradutor embutidos.

Claro que os e-readers também têm algumas desvantagens.  Algumas delas são: a impossibilidade de usar os livros para embelezar sua estante e ficar refém do aparelho digital que além de precisar ser carregado, é mais frágil que um livro físico. No caso do modelo que possuo, também tem o fato de não ter iluminação interna e nem apresentar cores, mas isso não me incomoda, para as minhas necessidades ele tem sido perfeito, até agora.
Quanto à economia, temos um impasse, pois se de um lado os ebooks costumam ser mais baratos e ter várias obras de domínio público disponibilizadas gratuitamente, do outro, você vai ter que fazer o investimento inicial para comprar o e-reader.

Com certeza não abandonarei os livros físicos, mas a facilidade de ter incontáveis títulos para ler de graça com certeza me proporcionará leituras mais diversificadas e passarei a comprar apenas os que realmente gostar muito ou alguma edição que fizer questão de ter na estante.
Pode parecer que este é um post patrocinado, mas não é nada disso. O real intuito desse texto é tentar ajudar os amigos que tem vontade, mas que ainda não compraram um e-reader a decidirem se vale a pena. 






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19 de julho de 2016

Stranger Things

Fim de semana é tempo de ficar em casa, descansar e, claro ver as séries e filmes que a correria da semana não deixa.
Este fim de semana vi a série Stranger Things, que apesar de ter estreado na sexta (15/07), já está sendo bastante comentada e agradou muita gente! Adianto logo, não é sem motivo: essa série original da Netflix traz um mix perfeito de suspense, ficção e drama e já se tornou uma queridinha para mim! 

Ambientado em uma cidadezinha de Indiana, a série traz um clima nostálgico ao nos mostrar uma trama passada na década de 80, com inúmeras easter eggs e referências à Cultura Pop. Somos remetidos a clássicos que vão desde O Senhor dos Anéis, Dungeons & Dragons e o saudoso Atari, até filmes como Goonies, E.T. - O Extraterrestre e Allien.
Apesar de o saudosismo ser um forte elemento para conquistar o espectador, a série apresenta bem mais que isso! Com um enredo envolvente, personagens super cativantes e uma aura constante de mistério, Stranger Things é daquelas séries impossíveis de largar antes do fim.
O enredo se inicia com um grupo de quatro crianças terminando uma campanha de RPG no porão de um deles. Esse quarteto de amigos (Mike, Lucas, Dustin e Will) forma o típico grupo de nerds que irá protagonizar a história: são inteligentes, curiosos, ávidos por aventuras e, claro, alvo de bulling no colégio.
Na volta para casa, um desses garotos, o Will Byers, desaparece, deixando para trás apenas sua bicicleta. A cidadezinha pacata se mobiliza em busca do garoto, mas não obtém muito sucesso. A mãe de Will, Joyce Byers (interpretada por Winona Ryder), entra num desespero que beira a insanidade pelo desaparecimento do filho, fazendo uma grande atuação.

O aparecimento misterioso de Eleven (ou El), uma garota dotada de poderes telecinéticos encontrada pelos garotos e a certeza de que Will ainda está vivo, levam as crianças a investigarem o paradeiro do amigo. O irmão de Will (Jonathan Byers) também segue procurando pelo irmão e, em certo ponto, recebe a ajuda de Nancy (irmã de Mike) e seu namorado atleta, Steve Harrigton, formando basicamente, o núcleo adolescente da série. Logicamente há uma investigação pela polícia local, encabeçada pelo Xerife Hopper seguida de perto pela mãe de Will. 
Acompanhamos essas três linhas de investigação paralelamente, até que elas se cruzam com o elemento desconhecido, desencadeando o que facilmente poderia ser descrita como uma teoria da conspiração envolvendo uma base militar do governo que fica nos arredores da cidadezinha, mas que se mostra muito mais real do que se pode imaginar.
Além da trama central, ainda temos um certo aprofundamento de alguns  personagens meio improváveis, como do Xerife Hopper e de Eleven, a garotinha que vai ganhando cada vez mais importância na trama.
É indispensável falar da bela escolha da trilha sonora, que funciona como um complemento perfeito para as cenas além das maravilhosas atuações da série, especialmente do núcleo infantil! Millie Bobby Brown, a Eleven, tem um brilhantismo em sua atuação e maravilha o espectador com sua expressividade. Os garotos Finn Wolfhard (Mike), Gaten Matarazzo (Dustin), Noah Schnapp (Will) e Caleb McLaughlin (Lucas) também se saem muito bem, especialmente este último, que faz o contraponto do garotinho racional e “do contra”, muitas vezes.
Com um bom roteiro, cheio de mistérios e de atuações incríveis, Stranger Things deixa a aura de suspense sempre no ar e, mesmo tendo um final bem amarrado, ficam algumas pontinhas por onde a segunda temporada poderá seguir.
Os criadores da série são os Irmãos Duffer (Matt e Ross), que apesar de pouco conhecidos, agora estão “no radar” como mentes promissoras. Não só pela harmonia da série, mas pelo fato de trabalharem em cima de vários clichês e conseguirem fazer tudo funcionar de forma fluida e sem cair, de modo algum, no “mais do mesmo”.
Recomendo muito a série tanto para os saudosistas dos anos 80 quanto para os amantes de Cultura Pop, pois tem uma trama interessante e envolvente e apesar das referências inúmeras, consegue se sustentar sozinha e proporcionar momentos de imersão fantásticos, que vão desde o friozinho na barriga até aquele sorriso bobo no rosto quando algo dá certo para os amigos.
Aqui embaixo você pode ver o trailer da série e julgar por si mesmo se é empolgante o suficiente para conferir, caso ainda não tenha visto! Se você já viu a série, vamos debater sobre ela nos comentários! <3
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30 de junho de 2016

Salvo pelo Gongo

Olá, tudo bem por ai?

 Eu gosto muito saber de curiosidades por trás de expressões populares e de fatos históricos e sempre que posso procuro a respeito. Como o conto do mês de Junho do #12MesesDePoe é “O Enterro Prematuro” e no próprio conto o Poe cita um método interessante de precaução contra enterros precipitados, lembrei de uma expressão que é bem popular e cuja origem não é muito conhecida. Este post, então, é sobre algumas versões que explicam a origem da tão usada expressão “Salvo pelo gongo”.


Acredito que é de conhecimento geral as circunstâncias em que usamos essa expressão, geralmente quando estamos diante de uma situação iminente de perigo ou constrangedoras que repentinamente é impedida por algo.

 Uma das versões diz que devido às pequenas dimensões da Inglaterra, nem sempre havia espaço para enterrar todos os mortos. Por essa razão, os caixões eram abertos e os ossos transferidos para ossuários para que outro defunto pudesse utilizar o túmulo. Acontecia que, ao abrir os caixões, por vezes, viam-se arranhões nas tampas do caixão pelo lado de dentro, indicando que aquela pessoa havia sido enterrada viva. Acredita-se que muitos destes casos ocorreram porque enterravam como mortos, pessoas com surtos de catalepsia, que ao acordarem encontravam-se presas ali e arranhavam e forçavam as tampas para sair.
“Catalepsia é um distúrbio que impede o doente de se movimentar, apesar de continuarem funcionando os sentidos e as funções vitais (só um pouco desaceleradas). A pessoa fica parecendo uma estátua de cera e muitas vezes é confundida como morta” 

Assim, para evitar tais tragédias, surgiu a ideia de amarrar uma cordinha no pulso do defunto, que passava por um buraco no caixão e era presa a um sino, que ficava do lado de fora. Nos sete dias seguintes ao enterro, ficavam de vigília ao lado do túmulo. Se a pessoa acordasse, o movimento do braço faria com que o sino tocasse e a mesma fosse resgatada, assim sendo literalmente “Salvo pelo gongo”.

     
Uma segunda versão, que é bem parecida com a primeira, diz que a mesma faria referência às pessoas que bebiam vinho em taças de certo metal que as deixavam derrubadas, como mortos. Muitas pessoas eram enterradas vivas, e percebeu-se isso quando abriam o caixão (provavelmente pelo mesmo motivo que o faziam na primeira versão) e viam que as pessoas estavam com os rostos muito arranhados, o que julgavam acontecer porque essas pessoas acordavam de ressaca e viam-se presas.

Há uma terceira versão ainda, que nada tem haver com as duas primeiras, que atribui à origem da expressão a história de um guarda do Palácio de Windson, no século XVII que foi acusado de dormir no posto. Porém ele alegou estar tão acordado que ouviu o sino da igreja tocar 13 vezes naquela noite, justificando assim a origem da expressão que é originalmente "Saved By The Bell".

 Qual dessas versões realmente foi a origem do "Salvo pelo gongo" eu não sei, mas achei todas bem interessantes e é sempre bom saber dessas coisas, por mais irrelevantes que sejam, como dizem "Conhecimento nunca é demais". Espero que tenha gostado!



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O Enterro Prematuro, #12MesesDePoe

Hoje é o último dia de junho, momento ideal para falar sobre o último conto lido para o #12MesesDePoe, que se chama “O Enterro Prematuro”. Sempre gostei deste conto, então achei maravilhoso poder lê-lo novamente e vir compartilhar minhas opiniões a respeito aqui.


O conto é narrado em primeira pessoa pelo “já conhecido” narrador cujo nome não é revelado. Aqui, Poe nos apresenta um dos piores terrores que alguém pode vivenciar: ser enterrado vivo. A princípio, são narradas três histórias bem conhecidas (no contexto do conto) de pessoas que, levadas por circunstâncias bem diferentes, passaram por essa experiência horrível, mas que conseguiram se salvar após o desespero inicial de constatar onde estavam.  
“Ser enterrado vivo é, fora de qualquer dúvida, o mais terrífico daqueles extremos que já couberam por sorte aos simples mortais. Que isso haja acontecido frequentemente, e bem frequentemente, mal pode ser negado por aqueles que pensam. Os limites que separam a Vida da Morte são, quando muito, sombrios e vagos. Quem poderá dizer onde uma acaba e a outra começa?”
No que poderíamos chamar de segundo momento, o narrador começa a nos contar sobre sua própria experiência. Ele revela que sofria de catalepsia e várias vezes encontrava-se em surtos da doença, onde caía em sono profundo e seus sinais vitais eram apenas minimamente percebidos. A duração desses surtos era gradativa: algumas vezes era acometido de forma leve pela doença e passava algumas horas ou dias somente em sono profundo. Outras vezes porém, poderiam passar-se semanas em estado de semiconsciência.
“Catalepsia é um distúrbio que impede o doente de se movimentar, apesar de continuarem funcionando os sentidos e as funções vitais (só um pouco desaceleradas). A pessoa fica parecendo uma estátua de cera e muitas vezes é confundida como morta” 
Apesar de todas as precauções possíveis que o narrador havia tomado para não sofrer o tormento descrito no começo do conto, em um de seus surtos, achou-se em seu pior pesadelo ao confrontar-se com a escuridão total e pouco espaçosa do local, que logo deduziu ser um caixão. A descrição de seu relato leva o leitor a enxergar as angústias que ele viveu pensando estar confinado ao lugar dedicado aos mortos.
“(...) Os que dormiam, verdadeiramente eram muitos milhões menos do que aqueles que não dormiam absolutamente (...).”
Acho esse conto maravilhoso principalmente pela construção da atmosfera e descrição minuciosa de Poe, além de ter uma conclusão bem legal, a qual não direi. 

É interessante vermos relatos históricos sobre pessoas que eram enterradas vivas já que mesmo que os casos citados todos sejam fictícios, isso não era tão raro naquela e em outras épocas passadas (especialmente na era vitoriana). Outro fato interessante citado é o uso de baterias (preconizado por Luigi Galvani) que buscavam reanimar pessoas através da eletricidade, no que provavelmente é um ancestral do desfibrilador.

Os enterros prematuros (talvez devidos mesmo a catalepsia) também figuraram em outros contos de Poe, mas este é o que o tem como tema central. Recomendo bastante a leitura do conto e acredito que muito embora seja um relato ficcional, há informações bastante enriquecedoras que podem ser extraídas daí.



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